Todos os nomes citados pelo agricultor Reni Callegaro, preso na Polícia Federal de Foz do Iguaçu por roubo de carros, não estão sendo localizados. A denúncia dele atinge principalmente o comandante da Polícia Militar de Santa Helena, tenente Tavares, que seria um dos cabeças do esquema.
Ontem, o comandante não foi localizado. O 14º Batalhão da Polícia Militar em Foz do Iguaçu enviou o tenente Davis para desempenhar o cargo de comando. Ele assumiu as funções e não quer falar sobre o assunto. Porém, informou que Tavares está em férias e que não foi afastado da polícia.
O comandante do Batalhão de Foz, capitão Joaquim Pedro da Silva, ao qual é subordinado Tavares, diz que todas as denúncias estão sendo investigadas.
No entanto, descarta qualquer participação do seu tenente no esquema: ‘‘a cúpula da Polícia Militar em Curitiba sabia da atuação do aspirante. Ele estava a serviço e infiltrado na quadrilha’’. Com isso, Silva descarta qualquer possibilidade de afastamento dos envolvidos.
O caso da prisão do agricultor Reni Callegaro e as denúncias envolvendo a polícia pega fogo com as declarações do delegado de Santa Helena, Donizete Botelho. Ele denuncia que os cinco carros semi-novos, todos modelos 96 e 97, apreendidos no sítio de Callegaro e que estavam sob guarda da Polícia Militar, foram depenados.
Segundo o delegado, nessa semana a PM entregou os carros para a Polícia Civil, porém, pôde se observar que as rodas foram trocadas e equipamentos de som, estepes e extintores foram retirados. ‘‘Não é possível que alguns carros, com pouco mais de cinco mil quilômetros rodados, estejam com pneus carecas’’, constata Botelho.
O delegado pediu uma perícia nos veículos e quer que o laudo seja anexado ao processo. O novo comandante da PM de Santa Helena, tenente Davis, desconfia das declarações de Botelho. ‘‘Me parece que o delegado comeu a galinha pelas pernas. Como ele sabia o estado dos veículos se eles estavam no pátio da PM?’’, questiona o comandante.
O agricultor Reni Callegaro não é o único a denunciar esquema envolvendo a polícia da fronteira em roubo de carros. Nessa semana, a tese foi novamente reforçada por Angela Gomes Ferreira, 22 anos, presa com um Fiat Uno, quando tentava atravessar para o Paraguai. Para a imprensa e nas celas da Polícia Federal ela disse que há policiais envolvidos em roubos de carros e na travessia para o Paraguai.
Com sua experiência nas passagens pela polícia, ela afirma que sempre conseguia fugir com ajuda de policiais. Angela afirma que chegou pagar quantias entre R$ 600 até R$ 3 mil para sair das grades.
Apesar dessas declarações, nenhum envolvimento policial foi colocado no seu depoimento na PF. O delegado responsável pelo caso, David Makarauski, negou que ela tenha feito comentários sobre o envolvimento de policiais. (Antônio França)

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