Citados não comentam acusações de agricultor
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
Sucursal de Foz do Iguaçu 
Todos os nomes citados pelo agricultor Reni Callegaro, preso na Polícia Federal de Foz do Iguaçu por roubo de carros, não estão sendo localizados. A denúncia dele atinge principalmente o comandante da Polícia Militar de Santa Helena, tenente Tavares, que seria um dos cabeças do esquema.
Ontem, o comandante não foi localizado. O 14º Batalhão da Polícia Militar em Foz do Iguaçu enviou o tenente Davis para desempenhar o cargo de comando. Ele assumiu as funções e não quer falar sobre o assunto. Porém, informou que Tavares está em férias e que não foi afastado da polícia.
O comandante do Batalhão de Foz, capitão Joaquim Pedro da Silva, ao qual é subordinado Tavares, diz que todas as denúncias estão sendo investigadas.
No entanto, descarta qualquer participação do seu tenente no esquema: a cúpula da Polícia Militar em Curitiba sabia da atuação do aspirante. Ele estava a serviço e infiltrado na quadrilha. Com isso, Silva descarta qualquer possibilidade de afastamento dos envolvidos.
O caso da prisão do agricultor Reni Callegaro e as denúncias envolvendo a polícia pega fogo com as declarações do delegado de Santa Helena, Donizete Botelho. Ele denuncia que os cinco carros semi-novos, todos modelos 96 e 97, apreendidos no sítio de Callegaro e que estavam sob guarda da Polícia Militar, foram depenados.
Segundo o delegado, nessa semana a PM entregou os carros para a Polícia Civil, porém, pôde se observar que as rodas foram trocadas e equipamentos de som, estepes e extintores foram retirados. Não é possível que alguns carros, com pouco mais de cinco mil quilômetros rodados, estejam com pneus carecas, constata Botelho.
O delegado pediu uma perícia nos veículos e quer que o laudo seja anexado ao processo. O novo comandante da PM de Santa Helena, tenente Davis, desconfia das declarações de Botelho. Me parece que o delegado comeu a galinha pelas pernas. Como ele sabia o estado dos veículos se eles estavam no pátio da PM?, questiona o comandante.
O agricultor Reni Callegaro não é o único a denunciar esquema envolvendo a polícia da fronteira em roubo de carros. Nessa semana, a tese foi novamente reforçada por Angela Gomes Ferreira, 22 anos, presa com um Fiat Uno, quando tentava atravessar para o Paraguai. Para a imprensa e nas celas da Polícia Federal ela disse que há policiais envolvidos em roubos de carros e na travessia para o Paraguai.
Com sua experiência nas passagens pela polícia, ela afirma que sempre conseguia fugir com ajuda de policiais. Angela afirma que chegou pagar quantias entre R$ 600 até R$ 3 mil para sair das grades.
Apesar dessas declarações, nenhum envolvimento policial foi colocado no seu depoimento na PF. O delegado responsável pelo caso, David Makarauski, negou que ela tenha feito comentários sobre o envolvimento de policiais. (Antônio França)


