Curitiba - A partir de segunda-feira, a maioria dos médicos que fazem parte da Cooperativa dos Cirurgiões Cardiovasculares do Paraná (Coopcardio-PR) estará descredenciada da Unimed. A informação é do presidente da Coopcardio-Pr, Marcelo Freitas.
O conflito entre os cirurgiões e a Unimed vem se arrastando desde o ano passado e até uma audiência pública foi realizada em Curitiba e intermediada pelo Ministério Público, porém sem sucesso. A principal reivindicação é reajuste da tabela de honorários. Os médicos reclamam que o repasse da cooperativa para a equipe que trabalha na cirurgia varia de R$ 800 a R$ 1,2 mil, enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) paga em média R$ 4 mil por operação.
Segundo Freitas, o Paraná tem 72 cirurgiões cardíacos, sendo que 50 estão vinculados à Unimed. Freitas informa que 150 cirurgias são realizadas por mês pelos cooperados da Unimed. O presidente da Coopcardio conta que outras operadoras fecharam acordo com a entidade.
Ele frisa que o rompimento é com operadora e não com a população. ''O paciente vai ser esclarecido de seus direitos e orientado a procurar a ANS (Agência Nacional de Saúde)'', comenta. Ele garante que todos serão atendidos. Aqueles com condições de esperar para fazer a operação serão orientados a procurarem a Unimed e buscarem uma solução. Os atendimentos emergenciais também serão realizados e os médicos dizem que vão esperar que os pacientes procurem, depois, a Unimed para pedir o ressarcimento.
A Unimed divulgou uma nota sobre a demissão conjunta dos cirurgiões cardiovasculares. A cooperativa alega que ''tem buscado estabelecer com seus cooperados, cirurgiões cardíacos, negociações visando a atender, no que for possível, suas reivindicações de melhorias nos seus honorários profissionais''. Mas afirma que as negociações ''por interferência de entidade estranha (COOPCARDIO) ao ambiente societário Unimed/médicos cooperados, tem acontecido de forma a não permitir o exercício pleno e responsável do cooperativismo, exercido pela Unimed e facultado pela lei 5764/71''.
A cooperativa considera a intermediação da Coopcardio ''abusiva''. ''Esta prática, entendida como abusiva, perpetuada por cooperativa similar, tem sido alvo, inclusive, de questionamentos pelo Poder Judiciário e já caracterizada como cartel, em segunda instância, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro''.
Em relação aos clientes da Unimed, a cooperativa comunicou que ''não existe nenhum risco de desassistência e ainda que nossas Unimeds estão à disposição em atendê-los em suas eventuais necessidades''.

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