A precisão dos diagnósticos e o avanço da tecnologia permitem identificar e tratar de corações doentes cada vez mais jovens; atualmente, bebês com poucas horas de vida já estão sendo submetidos à cirurgias cardíacas. E isso é mais comum do que se imagina. Em Londrina, única cidade do Paraná que realiza esse tipo de cirurgia, além de Curitiba, a média é de dois ou três bebês operados por semana. O número, que assusta, deve ser comemorado: segundo o cirurgião Gualter Pinheiro Junior, do Hospital do Coração, quanto mais cedo a criança for operada, maior é a chance de sucesso e mais rápida é a recuperação.
A maior parte das cardiopatias (doenças do coração) em bebês é resultado de doenças congênitas. Algumas se resolvem sozinhas, à medida que o bebê cresce. Outras, por serem de pouca gravidade, não precisam de intervenção médica. No entanto, nos casos mais graves, a rapidez do diagnóstico e do tratamento são essenciais. ''Antigamente havia a falta impressão que era melhor esperar o bebê crescer para fazer a cirurgia e agora está comprovado que quanto antes for feita a intervenção, melhor'', afirma Pereira Junior. Ele explica que a demora pode comprometer o funcionamento dos pulmões e até o desenvolvimento intelectual da criança. ''O coração é fundamental no fornecimento de oxigênio para todos os outros órgãos e sistemas'', aponta. Algumas cardiopatias podem evoluir até para a morte súbita. ''Esse tipo de coisa não acontece só com adultos ou atletas'', alerta.
O diagnóstico precoce pode ser feito até mesmo com o bebê ainda no útero da mãe. ''Se o pediatra desconfiar de alguma anomalia, ele pode pedir um ecocardiograma do feto'', indica o médico. Bebês com cardiopatias graves precisam de assistência especial na hora de nascer; alguns vão para a cirurgia antes mesmo de ir para casa. De acordo com o especialista, já existem experiências de cirurgias em corações de bebês que ainda estão dentro do útero.
O custo das cirurgias é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O problema é enfrentar a fila. ''Muitas crianças acabam sendo prejudicadas porque ficam muito tempo à espera. A falta de vagas nas UTIs, por exemplo, é um problema crônico. Se houvesse mais disponibilidade, a gente poderia operar mais. Nós percebemos que a demanda está represada em todo o Estado'', lamenta Pereira Junior.
Segundo levantamento feito pela Divisão de Avaliação, Controle e Auditoria da Secretaria Municipal de Saúde, sete crianças estão à espera de uma cirurgia cardíaca. O primeiro da fila aguarda desde o dia seis de outubro. A lista abrange 21 municípios da região de Londrina.

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