Cirurgião quer desenvolver técnica para transplante de intestinos no País
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 06 (AE) - O cirurgião José Roberto Nery defendeu hoje, terceiro dia do 23º Congresso Brasileiro de Cirurgia, que médicos brasileiros desenvolvam técnicas de transplante de intestino no País. Nery calcula que duas em cada milhão de pessoas nasçam ou adquiram doenças que levam à insuficiência intestinal todos os anos - no Brasil, isso representaria 320 casos anuais -, mas apenas cerca de 300 pessoas em todo o mundo passaram por esse tipo de transplante até hoje. "A criatividade do cirurgião brasileiro é impressionante, temos que desenvolver a técnica aqui", afirmou.
Nery trabalha há 15 anos no hospital da Universidade de Miami, onde realizou cerca de mil transplantes de fígado. Ele identifica a alta mortalidade dos pacientes - cerca de metade dos operados não sobrevive - como uma das causas da falta de pesquisa para transplantes intestinais. "Não há chance de o doente sobreviver, e troca-se isso por 50% de chance de sobrevivência, caso ele seja operado", disse. "É assim que as especialidades médicas começam: com uma aventura pela frente". Segundo o cirurgião, 60% das pessoas que sofrem de insuficiência intestinal são crianças com algum tipo de defeito congênito. Elas recebem alimentação diretamente pela veia desde que nascem. "O problema é que por algum fator desconhecido, esse tipo de alimentação contínua provoca lesão irrecuperável no fígado, que também precisa ser transplantado", diz.
O transplante intestinal é mais complicado do que o de outros órgãos porque, além de tipo sanguíneo e código genético compatíveis entre doador e receptor, é necessário tamanho de intestino adequado. A técnica de transplante intestinal é conhecida desde 1959, mas só ganhou força no início dos anos 90 por causa das drogas que impedem a rejeição do órgão e evitam que o sistema de defesa do organismo fique excessivamente fragilizado.


