Cirurgião é acusado de três outras mortes
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domingo, 03 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Goiânia- O cirurgião plástico Denísio Marcelo Caron foi acusado anteontem de ser o responsável pela morte de Adcélia Martins de Souza, no Distrito Federal. Ela internou-se terça-feira num hospital particular de Taquatinga, cidade-satélite, para fazer uma lipoaspiração e colocar prótese de silicone nos seios. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) atesta que a paciente sofreu perfurações que lhe causaram hemorragia interna. O cirurgião plástico tem um prontuário enorme e estava proibido de exercer a profissão.
Ele é acusado da morte de três outras mulheres em Goiânia, de ter causado sequelas em várias outras e ainda responde a seis processos na Justiça de Goiás. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional de Goiás, que apura a morte de uma de suas pacientes, Flávia Oliveira Rosa, morta no dia 12 de março de 2001, e o Ministério Público (MP) de Goiás, investigam o trabalho do médico. No momento, o MP prepara documentação para mover ação cautelar na Justiça. No Conselho Regional de Medicina há 35 sindicâncias em andamento e sete processos já instaurados.
As denúncias contra o cirurgião começaram a ser feitas à Justiça em outubro de 2000, por pacientes que afirmam ter ficado com sequelas de cirurgias plásticas e de lipoaspirações. Em março de 2001, a SBCP-Go divulgou nota informando que estava apurando a morte de Flávia, na mesma ocasião em que o CRM-GO instaurou sindicâncias para apurar denúncias contra o médico.
Também em março do ano passado, Caron comprometeu-se com o MP em afastar-se dos consultórios até o fim das investigações. A decisão do médico foi amplamente divulgada pela imprensa.
Em outubro de 2001, o CRM instaurou cinco processos ético-profissionais contra o cirurgião para apurar sua responsabilidade nos procedimentos nos quais haviam indícios de imperícia e imprudência.
A história de Caron em Goiás começou em março de 2000, quando Vera Lúcia Teodoro morreu 24 horas depois de submeter-se a uma cirurgia de lipoaspiração no abdome e plástica nos seios. Em janeiro de 2001, a advogada e concunhada do médico, Janet Virgínia Novaes, morreu nove dias depois de fazer uma lipoescultura com Caron. Em 12 de março de 2001, Flávia de Oliveira Rosa morreu cinco dias após ter se submetido a uma lipoaspiração com o cirurgião.


