Cirurgia inédita traz vida nova a londrinense
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sábado, 23 de março de 2013
Lucio Flávio Cruz<BR>Reportagem Local 
Londrina - "Eu renasci para uma vida melhor." Esta é a afirmação da técnica em enfermagem Maria Enivalda da Silva, de 51 anos, que passou por uma cirurgia inédita em Londrina de Estimulação Medular Espinhal (EME). O procedimento resolveu um problema crônico na medula óssea que a incomodava havia oito anos. "Eu acordava durante a madrugada gritando de dor na coluna."
As dores insuportáveis de Maria Enivalda começaram em 2004, quando foi detectado um tumor benigno entre as vértebras três e quatro e que estrangulava a medula. Ela passou por uma cirurgia para a retirada do tumor e para o implante de três placas de titânio e seis parafusos para dar sustentação à coluna. "Eu vivia à base de morfina e corticoides. Fiz tudo que se pode imaginar. Hidroterapia, fisioterapia, acupuntura. Nada aliviava a minha dor", relata.
A EME consiste na introdução de eletrodos na medula através de um terminal elétrico que gera vários pontos de conexão. "Através da corrente elétrica se criam estímulos que vão enganar o cérebro. Cria-se uma espécie de bloqueio da dor, que não chega até o cérebro. Com isso a pessoa não sente mais o incômodo", detalha o neurocirurgião Marcos Antônio Dias, responsável pela cirurgia.
A técnica em enfermagem teve que parar de trabalhar na UTI pediátrica do Hospital Universitário em 2004. Em 2007, se aposentou por não conseguir mais executar as suas funções. "Eu me arrastava. Não tinha forças para nada. Não conseguia mais andar sozinha, ir ao banheiro, tomar banho e dirigir. Achei que não tinha mais tratamento nenhum para o meu problema", frisa.
O esposo dela, Ataíde Braz, de 56 anos, ficou três anos sem trabalhar para cuidar da esposa. "Eu tinha que levá-la aos médicos e aos tratamentos. Até mudamos de Ibiporã para Londrina para ficar mais fácil", conta.
Marcos Dias explica que a intervenção só é realizada em pacientes que já tentaram outros tratamentos e medicamentos, mas não conseguiram resolver o problema. "A EME é indicada para pacientes refratários e que enfrentam forte limitação em situações básicas do dia a dia como ir ao banheiro, sair de casa, se locomover", aponta o médico.
Antes da implantação dos eletrodos, Maria Enivalda passou por sessões neuropsicológicas, fez diversas consultas com médicos especialistas em dor e ficou uma semana em um período de testes para adaptação ao equipamento. "É necessário saber se o paciente se adapta antes de concluir o procedimento. Uma cirurgia desse porte tem o risco comum a outras, como rejeição e infecção", informa o neurocirurgião.
O equipamento gera ondas de choque mínimas, mas em alguns casos o paciente não suporta, por isso o período de teste é importante. "Eu sinto um leve formigamento na perna. Mas mil vezes isso do que as dores que eu sentia", compara Maria Enivalda.
Quinze dias após a cirurgia, a técnica em enfermagem já sente os reflexos da vida nova. "Os meus filhos já me disseram que o meu humor melhorou, a pele está diferente e até a expressão do meu rosto é outra. Isso foi a maravilha que eu pedi a Deus para parar de sofrer tanto", ressalta.
A recuperação completa de Maria Enivalda deve acontecer em até 30 dias. "Com isso a carga de medicação será mínima e ela poderá voltar a fazer as tarefas do cotidiano e a ter uma vida normal", prevê o médico. E Maria Enivalda não vê a hora de retomar uma antiga paixão: "Poder dançar novamente com o meu marido".


