Uma cirurgia inédita no Brasil, feita no Hospital Universitário (HU) de Londrina, extinguiu um tumor gigante na face de um bebê de 10 meses. Segundo o cirurgião pediátrico Lúcio Marchese, que realizou o procedimento, a técnica ''abre uma nova perspectiva'' no tratamento desse tipo de câncer. ''É um caso raro, que não havia experiência. Vai permitir que outros cirurgiões planejem, façam e pulem etapas da cirurgia'', afirmou.
Para Haianny Ferreira Gonçalves, de 22 anos, mãe da menina Laianny, a hora é de felicidade: ''Minha filha foi desenganada com uma semana de vida e agora ela está aqui. Estou muito feliz'', disse a mãe, que saiu de Belém do Pará há cerca de seis meses para buscar ajuda. Antes percorreu dezenas de hospitais na região onde morava tentando um tratamento para a filha. Mas foi através da Internet, e da ajuda de algumas pessoas, que tomou conhecimento do ambulatório de oncologia do HU.
O diagnóstico foi um tipo de tumor raro na infância, com incidência menor que 0,01% dos tumores em criança, e que, segundo o médico, causa alteração na estrutura dos tecidos da face. ''O tumor, congênito, causou um crescimento desordenado dos tecidos nervoso, ósseo e muscular'', explicou.
Por causa do tamanho do tumor, cerca de meio quilo, o bebê praticamente não conseguia se movimentar, e isso causou um atraso no seu desenvolvimento neuropsicomotor. ''Criança precisa de estímulo para sentar, comer, andar, e ela não tinha isso. O tumor era tão pesado que ela não conseguia movimentar o pescoço'', contou o médico.
Apesar de se tratar de um tumor benigno, que não causa metástase, Marchese explicou que ele tinha as mesmas características que um maligno. Por isso, o tratamento de quimioterapia, por qual a menina passou, não teve resposta. Da mesma maneira, não teve resultado um tratamento de infiltração de substâncias para acabar com o tumor. ''A idéia inicial era evitar a cirurgia mas não foi possível''.
A partir disso, a equipe médica partiu para uma saída cirúrgica, com risco de morte do paciente. E além disso, a cirurgia precisaria ser muito bem planejada e conduzida para que não houvesse reincidência do câncer.
Quatro intervenções cirúrgicas foram realizadas há pouco mais de 10 dias. A primeira, uma traqueostomia para que a menina pudesse respirar, a segunda, o fechamento das artérias que ''nutriam'' o tumor. A terceira, uma embolização, procedimento que consiste na implantação de um catéter onde são injetadas substâncias que obstruem essas artérias. E por último, a ressecção do tumor. Ela também passou por uma cirurgia plástica para diminuição da estrutura labial.
Segundo o médico, a menina está respondendo muito bem ao tratamento, tanto é que ficou internada apenas dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e já recebeu alta ''para evitar infecção hospitalar''. Laianny já deu início a uma fisioterapia intensiva para recuperação dos movimentos da mandíbula e em três meses deverá passar por nova cirurgia plástica para reconstrução óssea da face. A perspectiva é que a menina tenha uma vida normal daqui para frente.

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