Cirurgia espiritual é alternativa para pacientes graves
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - O ator Reynaldo Gianecchini recentemente buscou no espiritismo o auxílio para tratamento de câncer linfático. A imprensa divulgou que o médium João Berbel, do Instituto Medicina do Além, de Franca (SP), realizou uma cirurgia espiritual durante visita ao astro no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
No Norte do Paraná, há anos pacientes que sofrem de doenças graves também buscam esse tipo de tratamento. O médium Manuel Peixoto Ferrão vive em Arapongas e viaja pela região desde 1995 visitando centros espíritas. Ele não classifica seu trabalho como cirurgia - ''não corto ninguém'' - , mas realiza procedimentos semelhantes ao qual Gianecchini foi submetido.
''Só o que faço é pedir para que os bons espíritos ajudem a pessoa'', minimiza. De acordo com Ferrão, que é mais conhecido como Manolo, o processo dura em média de 15 a 20 minutos e nem sempre resulta na cura. ''Eu peço aos espíritos para agirem, mas não depende só disso. O comportamento da pessoa conta muito. Por exemplo, se ela tem câncer na garganta e continua fumando não vai acontecer nada. Ou se tem cirrose e mesmo assim bebe'', aponta o médium, que aos 70 anos ainda é funcionário de uma empresa de alumínios em Cambé (Norte).
Presidente de um centro espírita em Londrina, Paulo Fernando de Oliveira afirma que a cirurgia espiritual não é unanimidade nem entre os espíritas. ''Nós acreditamos na reencarnação, cremos que o mal desta vida, um problema respiratório, por exemplo, acontece hoje porque na vida passada a pessoa foi fumante. Muita gente que não concorda com a cirurgia. O próprio Chico Xavier, que tinha problema na próstata, não aceitou passar por cirurgia'', declara.
Oliveira defende a prática em casos específicos. ''Aceito a cirurgia em casos extremos. Não pode ser banalizada por conta de qualquer incômodo'', adverte.
No ano passado, a filha dele, de 19 anos, passou por uma cirurgia espírita à distância por conta de uma grave alergia. ''Enviamos uma carta a um centro espírita no Rio de Janeiro contando o problema. Em dez dias chegou a resposta. Eles estipulam a data e o horário. Minha filha foi para o quarto com um copo de água. No horário previsto ela deitou na cama, ao som de uma música e meditou.'' De acordo com Oliveira, as alergias continuaram, ''mas nem de perto com a intensidade de antes''.
Lideranças espíritas consultadas pela reportagem disseram que não conhecem médiuns que realizem operações com cortes na região de Londrina.


