Cirurgia é realizada em casos específicos
Retirar um pedaço do crânio, guardá-lo no abdômen do paciente para depois recolocá-lo. Resumidamente isto é o que significa a craniectomia descompressiva, cirurgia que é realizada nos centros cirúrgicos dos três maiores hospitais de Londrina: Universitário, Evangélico e Santa Casa. De acordo com o neurocirurgião Marcos Dias, a cirurgia só é realizada em situações muito específicas.
''Quando você bate o braço ele não fica roxo, incha? Pois com o cérebro é a mesma coisa. Quando há um trauma o fluxo de sangue no cérebro se altera. Só para exemplificar imagine que o normal seria que entre e saia 0,5 litros de sangue por minuto do cérebro. Com o trauma esse processo é alterado: vamos supor que entre 0,5 e saia 0,3 litros por minuto. À medida que vai se acumulando e inchando ocorre o aumento da pressão no interior do crânio o cérebro começa a morrer por falta de oxigênio'', explica o neurocirurgião.
O cérebro não está colado no crânio. Há um espaço, um limite para que ele expanda. ''A craniectomia descompressiva, só é realizada quando todas as medidas clínicas não estão dando resultado. Quando ocorre a chamada hipertensão intracraniana maligna, que é o nome para esse ciclo que vai diminuindo a circulação de sangue no cérebro''.
De acordo com Dias normalmente a decisão para realizar a cirurgia deve ser tomada em menos de 24 horas. ''Se demorar muito tempo o paciente não sobrevive. No caso de Beatriz, de 8 anos, ela foi atropelada no domingo. Na segunda e terça recebeu tratamento''.
Segundo Dias, a operação dura em média duas horas. Um pedaço do crânio é retirado e alojado no abdômen do paciente, ''como é rico em nutrientes o abdômen mantém o osso estéril e viável para ser recolocado''. A retirada do crânio tem o objetivo de gerar espaço para o cérebro que está inchando.(D.B.)





