A tecnologia trouxe mais segurança à cirurgia para correção da miopia, mas também tornou mais criteriosa sua indicação. Hoje não são todos os casos que podem ser operados, como há 20 anos, quando começaram as primeiras cirurgias a laser.
A oftalmologista Ana Paula Oguido explica que hoje os casos ''são muitos mais selecionados, para o sucesso da cirurgia''. É possível, por exemplo, detectar problemas latentes, como alterações de fundo de olho e ceratocone, que antes não podiam ser detectados.
Outro critério importante, segundo ela, é a qualidade da córnea, que precisa ter espessura e curvatura ideais para que o procedimento tenha bom resultado. Ela explica que a córnea tem, em média, 500 micras de espessura, cerca de 1/2 milímetro. Cada grau retirado na cirurgia corresponde a menos 10 a 15 micras na espessura e o paciente não pode ficar com menos de 400. ''Por isso, teoricamente, não se pode corrigir mais do que 10 graus''.
O risco da córnea ficar muito fina, segundo a médica, é de ela não se sustentar e começar a encurvar de novo, o que pode evoluir para nova miopia. Pessoas que passaram pelo procedimento anos atrás e voltaram a apresentar miopia podem estar incluídos neste caso. Por isso, hoje, quem pode passar pela cirurgia, são pessoas com miopia estabilizada, o que acontece normalmente depois dos 21 anos de idade, com até 10 graus.
''Cada paciente tem uma córnea diferente, e hoje o aparelho utilizado na cirurgia permite um ajuste personalizado, que além de corrigir o grau, corrige aberrações que o paciente apresenta'', avalia Ana Paula. É por conta dessa personalização que pacientes diferentes, mesmo que tenham o mesmo grau de miopia, tem uma programação diferente, de acordo com a curvatura da sua córnea.
Uma curiosidade são os casos de mulheres que engravidam logo após a cirurgia de miopia, e que, por conta dos hormônios da gravidez têm mais risco de desenvolver miopia novamente. ''Os hormônios alteram tudo, até a córnea. A recomendação é que se espere um ano após a cirurgia para engravidar'', ressalta Ana Paula.
Antes do uso do laser, a cirurgia era feita com bisturi de diamante, porém ''hoje estamos colhendo as complicações dessa técnica antiga'', avalia o oftalmologista Rui Schimiti. Neste tipo de procedimento, eram feitos cortes na córnea, o que, com o tempo, acaba deformando-a. Isso, com o passar do tempo pode causar astigmatismos irregulares, que faz com que o paciente tenha de 20% a 40% da visão, e em casos mais sérios, precise até de transplante de córnea. A recomendação, segundo ele, é que quem passou por qualquer procedimento cirúrgico faça acompanhamento ''pelo menos anual'' com seu oftalmologista. (C.P.)

mockup