Brasília, 28 (AE) - O ex-ministro da Fazenda e candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, propôs hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma mudança de rumo político do País, a partir de um amplo diálogo nacional. Segundo ele, esse diálogo seria feito com todos os setores da sociedade com o objetivo de ajudar o País a sair da crise.
Para Ciro, com a atual estrutura política, o governo perde o fôlego para implementar as mudanças necessárias. Por isso, segundo ele, é preciso tirar o melhor proveito possível desse novo Congresso, já que depois de quatro anos o governo apresenta desgastes, mesmo tendo sido reeleito recentemente. "É preciso uma nova energia política", disse Ciro ao presidente Fernando Henrique, como relatou logo depois do encontro.
A reunião no Palácio do Planalto durou pouco mais de meia hora e terminou no início da noite. Foi o primeiro encontro dos dois desde 1994. Na conversa, Ciro Gomes criticou a atitude do ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), que defendeu a renúncia do presidente Fernando Henrique. "É preciso respeitar a legitimidade dos seus votos", disse. "O Brasil já tem problemas demais para esse tipo de maluquice", completou.
Ciro disse ao presidente Fernando Henrique, logo no início da conversa, que continuava na condição de adversário, mas que como oposição era preciso demonstrar atitudes de colaboração, principalmente no atual momento do País. "Deixei claro ao presidente que durante esse período em que ficamos afastados, passei a valorizar mais o substantivo e menos o adjetivo", comentou. "Acho que a conversa serviu para quebrar o gelo", avaliou Ciro Gomes, evitando fazer comentários das declaraçäes do presidente.
Para o ex-ministro, a reunião com Fernando Henrique só terá resultados se o presidente tiver a intenção em abrir o diálogo e aceitar sugestäes. "Se for sincero esse interesse que ele está demonstrando pelas oposiçäes, ótimo!", observou, informando que está disposto a continuar conversando. "Agora se essa intenção não for sincera, não terá nenhum funcionamento", completou Ciro, revelando que o presidente disse estar interessado nas propostas do PPS apresentadas pelo senador Roberto Freire (PE) há duas semanas. "Ele gostou muito do documento", disse.
Propostas - Hoje, o ex-ministro Ciro Gomes voltou a sugerir algumas medidas que vêm defendendo para o País enfrentar a crise. Ele propôs, como principal solução emergencial, a restrição da fuga de capitais por meio de um controle temporário das transferências de dólares para o exterior de divisas pertencentes a brasileiros. "Não podemos ver o Brasil sangrar suas divisas empurrado por especuladores, boa parte deles tubaräes brasileiros", disse. Para Ciro é essencial a recuperação da poupança interna, apresentando como sugestão, a adoção de um sistema previdenciário de capitalização.
Ele também defendeu a renegociação da dívida interna, de forma pactuada, de maneira a obter custos mais razoáveis. Segundo Ciro, isso permitirá imediata redução das taxas de juros de curto prazo. "A renegociação da dívida é uma pré-condição para quem quer diminuir os juros e evitar a inflação", comentou. "Agora, tudo isso tem que ser feito sem quebrar contrato", ponderou. Ele aproveitou para criticar a aprovação da contribuição dos servidores inativos pelo Congresso Nacional. "Não é tirando dinheiro de aposentados que essa situação será resolvida", alfinetou.
Para o ex-ministro, é temerária qualquer tentativa de centralizar o câmbio. "Isso é uma estupidez, já que a confiança e credibilidade no País é uma questão essencial", observou. Ciro Gomes também criticou as especulaçäes sobre a saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Esse tipo de especulação só prejudica o País".

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