Ciro Gomes quer que CPI pegue os "grandes"
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 20 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes disse hoje, em Curitiba, que a CPI do Sistema Financeiro "precisa pegar os grandes". "A sociedade brasileira tem o poder de pressionar e não deixar que a CPI seja só sobre esses dois banquinhos - Marka e FonteCindam -, porque senão vamos passar para a sociedade a ilusão de que estamos moralizando o País pegando bagrinhos, que estão misturados, mas são bagrinhos."
Gomes afirmou esperar que a CPI tenha resultados positivos. "Mas sei que a motivação dela é empulhar", acusou. Para ele, as fraudes apuradas nos bancos Marka e FonteCindam "são graves, mas pequenas à luz do que realmente aconteceu". Segundo o ex-ministro, na desvalorização cambial, o país perdeu mais de R$ 8 bilhões "por claro vazamento de informação privilegiada". "É preciso pegar os grandes", acentuou.
OPOSIÇÃO - O ex-candidato à Presidência da República pelo PPS disse que está tentando reunir as oposições em um movimento, que chama de Diálogo Nacional. "A nossa tarefa não é só falar mal do governo, é propor uma solução e mostrar a capacidade de unirmos os brasileiros." Segundo ele, a população tem mostrado uma desesperança e desencanto com a política, em razão de "um governo irresponsável e anti-social e uma oposição fraturada, dividida e sem projeto".
Ciro Gomes disse que já conversou com as lideranças do PT sobre esse movimento. "Para minha satisfação e, até surpresa, eles aceitaram imediatamente a idéia." Agora, ele pretende procurar o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), os dirigentes de partidos oposicionistas e outros brasileiros "que estejam na oposição ou afirmem estar".
Entre eles, está o ex-governador Leonel Brizola (PDT), apesar de discordar de algumas de suas opiniões. "Não posso concordar com ele quando pretende introduzir na crise econômico-financeira do País, na crise social dramática do País, um elemento de crise institucional, que é tudo o que a gente não precisa", disse. "Essa idéia de querer precipitar a renúncia ou de quebrar a normalidade democrática do País não é uma prática democrática." Ciro Gomes participou hoje de um debate com o Conselho Político da Associação Comercial do Paraná, em Curitiba. Depois, iniciou uma maratona de visitas, com a intenção de aumentar o número de filiados ao PPS no Estado.


