Ciro Gomes diz que valor do mínimo é indignidade
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 24 (AE) - O ex-governador e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, virtual candidato do PPS à sucessão presidencial, classificou hoje, em Salvador, de "indignidade" o valor do salário mínimo fixado pelo governo, chamando o presidente Fernando Henrique Cardoso de "irresponsável", ao propor a regionalização do mínimo "só para se vingar da governadora Roseana Sarney (PFL) e do senador Antonio Carlos Magalhães (presidente do Congresso, do PFL da Bahia), que defenderam um valor de US$ 100".
Pelos cálculos de Ciro Gomes, a economia brasileira suportaria "tranquilamente" um mínimo de 200 reais, "sem que isso causasse nenhum efeito negativo". Ele chamou de "vileza e pusilanimidade" o fato de governo justificar o pequeno aumento do mínimo pelo deficit da Previdência. "Os técnicos queixam-se que um salário de 200 reais agregaria R$ 2 bilhões ao déficit da Previdência, que chegaria a R$ 8 bilhões ao ano, mas ninguém fala que o principal combustível do rombo das contas públicas é o serviço da dívida: são R$ 130 bilhões por ano para uma arrecadação de R$ 152 bilhões", lembrou.
Sobre a posição de ACM, que aceitou o valor de 151 reais estabelecido pelo governo para o mínimo, quando, antes, não abria mão de 180 reais, Ciro Gomes disse que ele fez "ficção política", usando a miséria do trabalhador. "Todo mundo sabe que as prefeituras mais vulneráveis são controladas por partidos conservadores (como o PFL); então, essa grita dele (ACM) era para inglês ver", criticou, assinalando que, se Magalhães fosse realmente sincero, poderia agora, como presidente do Congresso, pôr a medida provisória (MP) do mínimo para votar e a modificar com a ajuda dos partidos de oposição.
Ciro Gomes fez uma palestra para cem empresários baianos
na manhã de hoje, com o objetivo de falar da proposta de governo. À tarde, iria participar de evento semelhante em Feira de Santana, a 108 quilômetros de Salvador. Ele anunciou o apoio ao virtual candidato do PT à sucessão municipal de Salvador, o deputado federal Nélson Pelegrino, e está aguardando uma definição da direção nacional do partido para a formação de uma coalizão de centro-esquerda, o mais rápido possível, visando a eleição presidencial. Ele quer o apoio do PT, sob o argumento de a sigla teve papel importante no passado em apontar os erros do sistema e, agora, precisa mostrar as soluções junto com o PPS. O tom crítico ao presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, foi substituído pelos elogios. "Ele (Lula) é o maior líder popular da América do Sul", disse, temendo que uma demora da indefinição petista possa contribuir para que o grupo político de Fernando Henrique migre para a candidatura dele. "Aí, será terrível, pois, se eu, por pragmatismo, aceitar esse apoio conservador, descaracterizo-me; se não aceitar, eles votam em mim e, depois, vão procurar-me, criando uma situação desagradável."


