Recife, 25 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes afirmou hoje que a inflação deste ano tende a alcançar os 20%, mais do dobro previsto pelo governo, tendo como consequência o recrudescimento da taxa de juros."Não digo que o governo perdeu as rédeas do controle da inflação, mas a fase é muito crítica e a volta da inflação é uma ameaça rigorosamente concreta", disse ele, em entrevista, durante a abertura da 40.ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, no Centro de Convenções de Olinda (PE).
Ele frisou que todos os indicadores de preços no atacado - a exemplo do IGPM - apontam para o índice de inflação de 20%, porcentual que ainda não foi repassado para o varejo por causa do desemprego e arrocho salarial. Esse repasse será inevitável, segundo ele, com o aquecimento da economia.
Para Ciro Gomes, a solução para se evitar a inflação sem alta de juros passa pela renegociação pactuada da dívida interna envolvendo o governo, investidores e credores. Para ele, essa seria uma saída sem violência, ruptura e constrangimentos. As outras formas teóricas de baixar a taxa de juros, de acordo com ele, seriam o calote, a emissão de dinheiro e a privatização. Ele considera as duas primeiras inaceitáveis e a terceira foi desperdiçada, na avaliação dele, uma vez que o governo federal sacrificou o patrimônio sem conseguir reduzir a dívida pública, que passou de R$ 61 bilhões para R$ 408 bilhões nos últimos quatro anos.
Virtual pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes disse não acreditar na aprovação da reforma tributária pelo Congresso.
Ao seu ver, o governo federal faz apenas retórica ao defender a reforma. Na prática, porém, não mexe uma palha para que ela aconteça. O motivo disso, explica ele, é o compromisso assumido pelo governo com o Fundo Monetário Internacioal (FMI) de produzir um superávit primário em meio ao estado recessivo em que se encontra a economia. "Hoje, o Brasil está com recorde de receita e qualquer reforma pode fazer isso cair", observou. "O governo não vai correr esse risco."

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