Bauru, SP, 09 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes afirmou hoje, em Bauru, no interior de São Paulo, que "o Brasil vive uma equação extraordinariamente perversa, onde se constata o maior indicador de desemprego da história, onde só na capital paulista já se somam 1,8 milhão de desempregados e onde ocorre a maior depressão da massa de salários da história contemporânea brasileira".
Ciro Gomes fez estas afirmações em dircurso durante a sessão de filiação dos prefeitos de Bauru, Nilson Costa, e de outras cidades ao PPS. "A depressão já subtraiu da população trabalhadora todo o ganho de distribuição de renda que a primeira fase do Plano Real lhe trouxe, rementendo o trabalhador ao mesmo estágio do ano de 1983", afirmou.
O ex-ministro da Fazenda afirmou que, além de realizar a missão político-partidária, tentará mobilizar a comunidade para a discussão dos problemas nacionais fora da época eleitoral. "A democracia não pode ser apenas um protocolo formal para dar ao povo, de tempos em tempos, o direito de eleger seus governantes; precisa ser um regime de oportunidades para se afirmar o respeito da sociedade, prestigiando e animando aqueles que trabalham e produzem, onde o homem público faça sua parte e não seja confundido com um ladravaz, um quadrilheiro ou um mistificador mentiroso", acentuou.
O pronunciamento foi repleto de comparativos sobre distribuição de renda no exterior e no Brasil, salário mínimo e outros números. Para o ex-governador, a globalização é uma ideologia que os países desenvolvidos criaram para expandir os mercados, e o Brasil, assim como os demais países na mesma situação, carece de medidas e competência para a enfrentar.
Ele reclamou que, em setores nos quais os produtos brasileiros são competitivos, são impostas barreiras alfandegárias, enquanto que as fronteiras permanecem abertas aos importados. "Precisamos combater isso através do aumento de nossa capacidade de produção, manutenção de uma política econômica com juros internacionalmente compatíveis e evitando o consumismo", afirmou.
Sobre a organização do PPS, Gomes diz que a idéia é "crescer em sintonia com o avanço da consciência da população, pois não existe salvador da pátria". "Nós sabemos que tudo precisa ser feito com muita calma e paciência." Isso, na opinião dele, se dará fazendo política fora das eleições e recrutando "gente boa" para que a política volte a ser um espaço de cidadania e dignidade, no qual o jovem sinta orgulho de participar.
"Hoje, concretamente, nós temos de ter a humildade de reconhecer que, para o povo, política e sujeira, política e mentira e política e enganação são quase a mesma coisa", concluiu.
O prefeito de Bauru trocou o PL pelo PPS. Além dele, filiaram-se secretários municipais e os prefeitos de Presidente Alves, Orlando Rodrigues Gimenes (ex-PSL), e de Platina, Manoel Possidônio (ex-PL), e o vice-prefeito de Piratininga, Paulo Roberto Coimbra (ex-PT).
Também assinaram ficha ex-prefeitos de Itapuí e Penápolis. À reunião, realizada numa churrascaria de Bauru, ainda compareceram vereadores locais e outros políticos regionais ligados ao PPB, PT, PTB e PC do B. A festa ainda incluiu um show de pagode e música sertaneja, no Bauru Atlético Clube.

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