Ciro Gomes defende saída de Malan
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 02 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes defendeu hoje de manhã a saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan, que ameaçou deixar o cargo caso os governistas continuem insistindo na hipótese de impor um projeto "populista" de desenvolvimento que possa comprometer a estabilidade econômica. Ciro Gomes acredita que o governo não vai abrir mão de promover uma "bolha de crescimento" agora para tentar reverter os baixos índices de popularidade e, ao mesmo tempo, dar uma resposta à oposição que insiste na renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Ele (Malan) deve arrumar as malas porque esse governo está determinado a promover esta bolha de crescimento", afirmou. Segundo Ciro Gomes, o governo está enchendo o mercado financeiro de títulos com correção cambial, que simplesmente "estatizam" a dívida pública e transportam para o Tesouro Nacional o risco de uma pressão real no câmbio, "dados os desequilíbrios estruturais pelos quais o País está passando".
O ex-ministro participou do último dia da 17ª Conferência Nacional dos Advogados, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), zona norte do Rio. Ele e o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) foram convidados para falar sobre o processo de globalização. Ao contrário de Ciro Gomes, Genro mostrou-se favorável às declarações de Malan, mas ressaltou que, primeiro, gostaria de saber qual é a visão real do ministro da Fazenda sobre populismo.
"Na verdade, o que o Pedro Malan tem mostrado até agora é que qualquer processo de distribuição de renda é populismo, o que eu desacordo frontalmente", afirmou o ex-prefeito. "Não se trata de defender qualquer tipo de bolha econômica; sou a favor da mudança do modelo econômico porque, sem isso, qualquer medida distributiva é meramente eleitoreira e demagógica." Ciro Gomes agradeceu ao governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), por ter lembrado recentemente que o nome dele poderá se transformar num dos favoritos para a sucessão presidencial de 2002. "É um reconhecimento de um amigo, um traço de generosidade", disse. "Mas acho que o Tasso é, sim, um grande quadro para qualquer empreitada, inclusive para a Presidência."
O ex-ministro afirmou que está preparando uma carta-resposta para a Executiva Nacional do PT, que, no início dessa semana, divulgou documento classificando Ciro Gomes como uma "das terceiras vias da centro-direita" que deverão ser combatidas pelas oposições em 2002. "Eu ouvi isso com tristeza, mas eu tenho de colaborar com a minha humildade, com serenidade, para que isso não se aprofunde; vou aceitar a injustiça e a incoerência que estão embutidas nessa afirmação e vou responder numa carta ao PT que estou concluíndo", contou.
Genro, porém, reafirmou que os petistas encaram o ex-ministro como um possível candidato do governo. "O Ciro Gomes, na minha opinião, é uma saída por dentro do modelo atual e não contra o modelo atual", afirmou. "Ele é uma alternativa do bloco de poder, e não uma alternativa do campo oposicionista."


