Rio, 18 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) criticou hoje o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), por ele ter atacado a Justiça brasileira e defendido a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o Judiciário. Para Ciro Gomes, ACM "não é a melhor pessoa para falar sobre o assunto, pois não moveu uma palha com o objetivo de mudar as condições objetivas da Justiça" e procura temas de apelo popular para ajudar o governo Fernando Henrique Cardoso a vencer a crise de popularidade.
O ex-ministro afirmou ainda que o presidente do Senado "não pensa no Brasil, não tem interesse público". Ciro Gomes deu as declarações após palestra na Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele disse que o senador pefelista poderia usar o prestígio para ajudar a mudar a legislação e tornar a Justiça mais ágil, em lugar de o usar como "prestígio fisiológico, para botar ministro no governo, disputar Petrobras e fazer o Banco Econômico ser acudido pelo Proer". Segundo o ex-ministro da Fazenda, ACM quer evitar "ser chamado à responsabilidade para explicar o que o governo pelo qual é co-responsável está fazendo com o Brasil." Na palestra, Ciro Gomes disse que ACM serve ao governo "como vassalo e como aproveitador" e que, ontem (17), o Brasil não tinha presidente, uma vez que o posto, informalmente, fora ocupado pelo presidente do Senado, com os ataques à Justiça. Apesar de defender os juízes, o ex-ministro criticou os magistrados que, segundo ele, precisam fazer uma autocrítica e reconhecer que o Judiciário é moroso e tem problemas de nepotismo, corrupção e elitismo. Ciro Gomes também criticou o pequeno número de juízes, o excesso de medidas provisórias (Mps) e a legislação processual que permite recursos demais.
O ex-ministro disse que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), tem "parcial razão", ao afirmar que não tem mais condições de continuar a pagar a dívida com a União, o que o levou a declarar a moratória por 90 dias. Ele reclamou dos ataques que o governador de Minas Gerais tem sofrido. "O Itamar está sendo objeto de uma estratégia massacrante da propaganda oficial." O ex-ministro também declarou ser contra a proposta do PDT de pedir a renúncia de Fernando Henrique e defendeu a criação de um diálogo nacional dos partidos de esquerda e centro-esquerda para, à semelhança do que fizeram os oposicionistas argentinos, escolher um candidato único à Presidência. A escolha, propôs, seria feita por eleições primárias. "Já propus isso em 1995, 1996, 1997, 1998 e continuo a propor em 1999."

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