Rio, 08 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes condenou hoje a proposta de pacto apresentada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à oposição e aos governadores para tentar resolver a crise da Previdência, iniciativa que, segundo ele, é sinal de que o presidente está "perdidão". Ciro Gomes defendeu um diálogo com o governo, desde que "comece do zero" e discuta outras questões, como a ajuda do governo a bancos privados e a política econômica. Para Ciro Gomes, Fernando Henrique, que propôs o pacto e convocou uma reunião de governadores para o dia 15 com o objetivo de discutí-lo, tenta apenas recuperar popularidade.
"Do zero, a gente começa", disse o ex-ministro da Fazenda. "Agora, dizer: Quero pagar R$ 120 bilhões de juro para banco, quero pagar R$ 1,2 bilhão para os Bancos Marka e Fonte-Cindam, quero dar dinheiro ao Banco Econômico pagar suas contas no estrangeiro e quero que vocês façam um pacto comigo para tomar dinheiro dos aposentados...; não tem pacto assim; pacto é para conversar sério." Ciro Gomes acusou Fernando Henrique de querer impor "austeridade pela metade", punindo a classe média baixa e os pobres para beneficiar "os barões das finanças". O ex-ministro disse que a proposta de pacto é "papo-furado" do presidente, na tentativa de fazer uma retórica "pseudo-generosa" e "superar a marca de impopularidade, em boa parte imposta por sua arrogância". Ciro Gomes afirmou ainda que os governadores, que se mostram dispostos a conversar com o presidente, cumprem um papel institucional. "Este negócio de governador de oposição só existe nesta retórica boboca aqui do Brasil." O ex-ministro, provável candidato do PPS à sucessão presidencial em 2002, disse que a questão da Previdência Social brasileira, assunto que detonou a proposta de pacto, não está na despesa, mas na receita.
"O regime de repartição só funciona com muitos ocupados para um aposentado com expectativa de vida razoavelmente baixa; hoje nós temos duas pessoas ocupadas para um aposentado com expectativa de vida alta", afirmou. "Temos de trocar o (atual) regime previdenciário por um regime de capitalização."
O ex-ministro participou na Câmara do Rio da festa que marcou a entrada no PPS de alguns políticos, entre eles o deputado federal Ayrton Xerez, que deixou o PSDB e vai concorrer à prefeitura do Rio em 2000. Na cerimônia e depois dela, Ciro Gomes, além de criticar o governo federal, voltou a atacar o PT, partido com o qual pretende disputar a hegemonia no campo das oposições e o tem atacado com dureza.
Para ele, as legendas de esquerda tradicionais estão divididas, sem projeto e com um discurso que afasta o centro, como as palavras de ordem "Fora FHC!" e "Renúncia Já!", que chamou de "vazias e incompreensíveis".
"Acho que o PT é o mais importante partido da oposição no Brasil", disse ele. "Acho que há ali uma boa gente e compreendo que, neste instante (os petistas), estejam superficialmente assustados porque estão perdendo o monopólio da verbalização da oposição no Brasil, mas não quero usurpar esse lugar deles, quero somar." Ciro Gomes disse que essa soma "não pode ser um jogo de adesão, uma submissão, como conseguiram fazer com o PSB, com o PDT e com o PC do B", pois o PPS não tem essa vocação. O ex-ministro garantiu que apoiará um projeto de poder do PT que esteja "na direção certa" e deixou claro esperar o mesmo do petismo.

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