Porto Alegre, 20 (AE) - O pré-candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, recebeu com "humildade e ceticismo" a pesquisa do instituto Vox Populi que o coloca empatado com o provável candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, com 25% de intenções de voto, na disputa pela Presidência da República. Lembrou que ainda é "muito cedo" para um prognóstico seguro. O ex-governador do Ceará foi um dos convidados do XV Congresso da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), realizado em Canela, na Serra Gaúcha.
Ciro considerou que o fortalecimento do seu nome seria explicável por representar "uma alternativa entre a direita esclerosada e uma esquerda bem intencionada mas que não consegue superar o preconceito". Perguntado sobre a eventualidade da renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso, respondeu com outra indagação: "Você acredita que um homem que vendeu a sua alma para se reeleger vai renunciar?" Ciro voltou a negar irregularidades com a sua declaração de imposto de renda, como foi denunciado. Também afirmou que a Receita Federal não iniciou uma investigação sobre o seu caso no Ceará. Disse ter aberto mão de três pensões vitalícias no seu Estado - de prefeito, deputado e governador - que lhe dariam R$ 21 mil mensais.
Na sua palestra aos empresários, Ciro defendeu o parlamentarismo. Depois, em entrevista coletiva, questionado se continuaria propondo a adoção do sistema caso venha a ser eleito presidente, foi evasivo, afirmando que sempre foi parlamentarista. Acentuou que, para uma empresa estar inserida com sucesso no mundo globalizado, precisaria de três quesitos: acesso a financiamento internacional, sofisticação tecnológica e produção em megaescala. E assinalou que 95% dos empreendedores brasileiros não possuem os três itens. Defendeu, ainda, um Estado forte, sob controle maior da sociedade.

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