Ciro critica uso político do aumento do mínimo pelo PFL
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 10 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes criticou hoje o "uso político" feito pelo PFL em cima do aumento do salário mínimo, que defendeu um valor de US$ 100. "Não façamos farsa de uma área que representa um dos maiores constrangimentos para a população brasileira", afirmou.
Para ele, o PFL está fazendo demagogia ou deve estar com informação privilegiada de que o mínimo ficará entre 150 e 160 reais.
"Por isso, os pefelistas estão puxando o valor para cima, com o objetivo de parecer que os tucanos são cruéis e eles é que ficam como bonzinhos", disse Ciro Gomes. "Afinal, o PFL sabe que o mínimo não será de US$ 100." Segundo ele, a economia brasileira suporta um salário mínimo real de 200 a 250 reais.
"Mas o governo evita pagar esse valor por causa do descalabro absoluto do setor público e da Previdência", denunciou o ex-ministro, lembrando que, em 1995, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu o governo, o salário mínimo era de US$ 106.
Na rápida passagem por Brasília, Ciro Gomes fez um apelo para que haja um maior diálogo do PT com as forças de centro-esquerda no País. Ele aproveitou a autocrítica feita no dia anterior pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que admitiu ter errado ao não aceitar o apoio do PMDB do ex-deputado Ulisses Guimarães (SP), em 1989, e ao não integrar o governo Itamar Franco. "O Ulisses e o Itamar daquele tempo são hoje esses setores de centro-esquerda em que o PPS está incluído", argumentou Ciro Gomes. "Deveria ter uma abertura maior para esse diálogo", disse ele, reconhecendo que o PT é o principal partido deste campo ideológico.
O presidenciável do PPS lembrou que, em 1989, ele resolveu apoiar Lula quando era prefeito de Fortaleza, mesmo depois de o PT ter recusado a presença oficial do PSDB no palanque. Ciro Gomes também revelou que, em 1994, ele e Itamar procuraram o candidato petista para que fosse o postulante a vice-presidente do governador tucano Tasso Jereissati (CE). "Na época, falei para o Lula: não se iluda que você não ganha a eleição e acabará empurrando a nossa aliança para a centro-direita", relatou o ex-ministro.
Ele também lembrou que, em 1998, alertou Lula sobre a tentativa de Fernando Henrique em transformar a eleição num plebiscito. "Alertei ele de que estava tentando melar aquele jogo para haver segundo turno; mas, quando Lula percebeu isso, já era tarde."
Ciro Gomes voltou a responder com ironia ao fato de Lula insinuar que o PPS estaria se aproximando do governo. "O que pega é catapora; conversar não pega", disse ele, comentando o jantar que os senadores do partido Roberto Freire (PE), presidente nacional da legenda, e Paulo Hartung (ES) tiveram com Fernando Henrique na semana passada. "A nossa oposição continua sendo a esse governo que pilota um projeto antinacional
irresponsável e desastroso."


