Ciro critica FH e apóia Covas em cerimônia na Assembléia de SP
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Fred Ferreira (especial para a AE) 
São Paulo, 25 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes criticou hoje, em São Paulo, o governo federal e o presidente Fernando Henrique Cardoso, apesar da aproximação entre o PPS, partido dele, e o governador Mário Covas (PSDB) - tornado evidente pelo apoio da bancada da Assembléia paulista ao executivo estadual. "O presidente Fernando Henrique é um homem que tem se habilitado a incumbir frases contraditórias à sua prática", disse o ex-governador do Ceará, referindo-se ao discurso do presidente aos empresários do setor industrial.
Ciro Gomes cobrou originalidade de Fernando Henrique. "Esse discurso de críticas feitas ao empresariado já está na boca do nosso partido faz tempo", afirmou.
"Não adianta um governo falar isso agora, depois de fazer o Proer." "O FHC quer impor a adesão passiva do Brasil à globalização, que ele agora chama de Cimeira; na questão moral, a percepção de safadeza é notória", afirmou. Acompanhado pelo senador Roberto Freire (PPS-PE), presidente nacional do partido, e pelo deputado federal João Hermann (PPS-SP), Ciro Gomes prestigiou a filiação de três deputados ao PPS. Arnaldo Jardim, Vitor Sapienza e Dimas Ramalho deixaram o PMDB para dobrar a bancada estadual do PPS (de três para seis parlamentares). Os novos parlamentares do PPS pretendem participar do governo. Ciro Gomes não vê incoerência política em apoiar Covas em São Paulo e continuar com o forte tom de críticas ao governo federal. "Não conflita", garantiu. "Não vejo contradição alguma, assim que é a política", disse. "Minha afinidade com o Covas é ética e não escondo minha admiração por ele."
Mas o ex-ministro cutucou o governador paulista, cobrando mais empenho nas questões nacionais. Segundo ele, Covas deve estar "revirando-se de insatisfação" com a situação atual do País. "Queria ver o Covas um pouco mais ativo, com uma atitude mais produtiva em relação à crise nacional." O PT também não escapou das críticas de Ciro Gomes, que considera que o partido tem resquícios do tempo da ditadura. "A unidade do PT só se sedimenta na negação." Apesar de afirmar que "ainda é cedo" para falar em articulações para a canditatura à Presidência, Ciro Gomes disse que está em São Paulo com o objetivo de "se fazer conhecido". Ele não admitie a hipótese de ser candidato a vice-presidente na chapa de "ninguém", nem mesmo do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), por quem tem "grande consideração e apreço". "Não tenho aptidão para ser candidato a vice", afirmou. "Nem do Covas, nem de ninguém."
"Não há outro nome à sucessão presidencial dentro do partido que não seja o Ciro", afirmou Freire. Ciro Gomes também criticou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
"É engraçado dele (ACM) dizer que eu sou o novo Collor (Fernando Collor de Mello, ex-presidente) porque, enquanto eu votava a favor do impeachment dele (Collor), o seu filho Luís Eduardo (Luís Eduardo Magalhães, ex-líder do governo na Câmara, que morreu em abril de 1998) fazia discurso defendendo o cidadão; o ACM abusa da inteligência média do povo."
A ex-deputada federal Marta Suplicy (PT-SP), candidata à sucessão da Prefeitura de São Paulo, veio prestigiar o evento do PPS. "Esperamos estar juntos em outras batalhas", discursou Marta, aplaudida pela bancada do PPS. "Vim pedir apoio do partido, é isso que eu quero."


