Ciro condena impeachment e prega movimento para governo mudar rumo
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quinta-feira, 19 de agosto de 1999
Por ¶ngela Lacerda 
Recife, 20 (AE) - O ex-ministro Ciro Gomes (PPS) disse hoje que a oposição deve agir com responsabilidade ao invés de pregar o impeachment como forma de derrubar o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A saída está, segundo ele, na construção de um movimento nacional que obrigue o governo a mudar de rumo. "Engana o povo quem acena com a possibilidade de impedir esse presidente", afirmou Ciro. "Ele é um péssimo presidente, mas é apoiado pelo setor exportador paulista, pelo setor financeiro nacional e internacional, pelas grandes empresas de mídia de São Paulo e Rio e pela oligarquia parlamentar que ele mantém a pão-de-ló."
Ciro Gomes fez estas declarações durante a assinatura de filiação ao PPS de políticos pernambucanos vindos do PSB - dois prefeitos (Elias Gomes, do Cabo, na região metropolitana e João Lyra, de Caruaru, no agreste), dois deputados federais (Pedro Eugênio e Clementino Coelho) e o ex-prefeito de Petrolina, no sertão, Fernando Bezerra Coelho, que concorreu a vice-governador na chapa derrotada de Miguel Arraes ao governo estadual no ano passado. O ato, que lotou o plenário da Assembléia Legislativa, foi transformado em uma manifestação política de apoio à sua candidatura à Presidência da República.
O ex-ministro não deu detalhes sobre o movimento nacional que prega para fazer Fernando Henrique redirecionar o governo. Afirmou, porém, estar na luta pela "construção de um caminho alternativo de poder real para o Brasil". E disse que só será candidato presidencial se esse caminho for construído. "Não tenho a salvação da pátria na mão", frisou.
O ex-ministro Fernando Lyra, coordenador da candidatura Ciro, explicou que o objetivo do PPS é o de articular uma frente nacional de centro-esquerda que reforce a luta do partido por uma oposição consequente e com propostas. "É um Movimento Pró-Ciro", definiu. Lyra adiantou que até as eleições municipais do próximo ano, a meta será a de aglutinar setores do PSDB e do PMDB ao projeto do PPS. "As eleições municipais são importantes para firmar os alicerces de 2002", afirmou. "Por isso, somente depois é que iremos pensar na campanha presidencial e em alianças com partidos".
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, criticou "a esquerda que vai atrás de projetos do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ou pensa em se aliar a produtores rurais que possuem demandas que vão de encontro aos interesses do País". E frisou que a esquerda não pode ser "biruta". "Agindo assim, ajuda a manter esse governo", disse.
Freire comemorou a "representatividade" das novas filiações e avalia que o PPS está crescendo em todo o Brasil por encarnar uma oposição que tem clareza, que não é golpista e que pode derrotar o neoliberalismo. O partido tem, hoje, 9 deputados federais, 35 deputados estaduais e mais de 100 prefeitos, além de um senador (Freire). Em Pernambuco, a sigla contava apenas com Roberto Freire e uma prefeita do sertão. O deputado estadual Ranílson Ramos, também ex-PSB, já anunciou sua adesão.
Os novos filiados fizeram discursos no mesmo tom, afirmando que entraram no PPS para avançar na luta do povo e elogiaram Ciro Gomes como um líder capaz de fazer o governo a que o brasileiro aspira.


