Rio, 28 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes criticou hoje a decisão do governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), de não pagar a última parcela da dívida do Estado com a União, no valor de R$ 5,3 milhões. Segundo ele, os governadores, entre eles o de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que adotaram esse caminho cometeram um grave erro. "Se o Estado do Ceará paga suas dívidas, porque os outros não podem fazer o mesmo?", questionou o ex-ministro.
"O caminho é o sacrifício, até porque a dívida do setor público estadual, se for simplesmente repudiada, vai para o setor público federal, que acaba penalizando a população." "Aí
quem está em dia paga para quem não está", completou. Segundo ele, os governadores inadimplentes adotam uma solução errada porque ela não traz efeitos positivos.
"Se o Estado não quita as parcelas, o governo federal bloqueia recursos do Fundo de Participação e ainda põe o Estado numa lista de inadimplentes", declarou o ex-ministro. "Pode acontecer algo ainda mais grave, como foi o que ocorreu com Minas, o que, por sinal, achei uma grosseria: a inviabilização de créditos internacionais."
Para ele, os governadores devem ter a "humildade" de buscar condições de pagamento. Segunde ele, o Ceará, que é "paupérrimo", fez o sacrifício necessário, ao recompor a dívida para a pagar. "No meu governo, eu resgatei 100% da dívida mobiliária do Estado e isso foi feito com muita dificuldade." Ciro Gomes avalia que a explicação dos governadores de que a moratória é a alternativa encontrada para o pagamento dos salários não passa de "retórica". "Você tem de cumprir com as duas obrigações", disse.
O ex-ministro considera, no entanto, que a suspensão dos desembolsos da dívida pelos Estados é consequência da "tragédia" da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Como é que o governo federal ajuda a Prefeitura de São Paulo, com a securitização de R$ 6 bilhões de dívida, e não ajuda Alagoas?", questionou o ex-ministro da Fazenda, referindo-se às várias tentativas de Lessa para buscar uma solução ao Estado.
Para Ciro Gomes, se Fernando Henrique decidir demitir o novo secretário de Desenvolvimento Urbano, Ovídio de Angelis, acusado de favorecer prefeituras do PMDB de Goiás com verbas da Secretaria Especial de Políticas Regionais, deve afastar também pelo menos quatro ministros.
"Se o critério for eliminar aqueles que distribuem recursos para suas regiões, devem sair o ministro Eliseu Padilha (Transportes) e das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, indicado pelo Antônio Carlos Magalhães (presidente do Congresso, do PFL da Bahia)", disse o ex-ministro. "Como não há projeto nacional
cada um destina recursos para seu Estado", completou. Ele esteve em Duque de Caxias, Região Metropolitana do Rio, para participar de um ato de filiação ao PPS de 200 novos militantes, entre os quais secretários municipais e o presidente da Câmara de Duque de Caxias, Gilberto Silva.

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