Ciro aponta inflação como maior problema de FHC em 2000
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Diana Fernandes 
Brasília, 02 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, pré-candidato do PPS à sucessão presidencial, disse hoje que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso terá a inflação como grande problema a ser enfrentado no próximo ano. "É evidente que não será como antes (do Real), mas a inflação será a dor de cabeça do ano que vem", disse o político cearense, ressaltando o peso que as tarifas praticadas pelas empresas privatizadas terão no indicador inflacionário.
"A inflação do ano que vem vai depender muito de como vão ficar essas tarifas, se o governo não revir os contratos com as novas operadoras para trocar por outro índice o IGPM, que é pura indexação, a inflação será maior em 2000", afirmou. A revisão dos contratos com as empresas privadas que assumiram serviços públicos - energia, telefone e gás, por exemplo - , para reduzir os índices de reajustes das tarifas, foi admitida por setores do governo nos últimos dias. Mas é ainda um assunto polêmico e sem consenso na área econômica.
Sobre o desempenho da economia brasileira no ano que vem, a previsão de Ciro Gomes é de que haverá um crescimento de no máximo 3%. "Muito difícil os 4% previstos no acordo com o FMI". Para ele, 3% é um índice de crescimento razoável, se concretizado, mas está longe de reverter o problema do emprego e dos salários. "Só um crescimento de 5% a 5,5% produziria reflexos positivos na taxa de emprego e nos salários do trabalhador."
Depois de mais de um mês longe dos holofotes - o candidato optou por resguardar-se pouco depois de sua rápida subida nas pesquisas de opinião, que já lhe apontaram 25% da preferência do eleitorado -, Ciro Gomes avalia que a coordenação política do governo Fernando Henrique melhorou "um pouquinho" com a ida do deputado Aloysio Nunes Ferreira para a Secretaria-Geral da Presidência, mas não está fazendo nada estruturalmente certo. "O governo saiu da armadilha do câmbio, mas continua com uma administração ruinosa para o País", comentou o ex-ministro, acrescentando que as exportações brasileiras este ano estão 14% abaixo do que foi registrado no ano passado, quando o câmbio era apontado como o maior entrave à venda de produtos nacionais para o exterior.
Articulando uma aliança para lançar a candidatura do político cearense, o PPS de Ciro Gomes aplaudiu o resultado do 2º Congresso Nacional do PT, realizado no último fim de semana em Belo Horizonte. "O PT amadureceu e avançou com o discurso de uma ampla frente de centro-esquerda para enfrentar o processo eleitoral em 2002", disse Ciro, lembrando que ele próprio e o PPS defendiam essa aliança até o momento em que setores radicais do PT começaram a pregar o fora FHC.
"Aí, nós nos retraímos, por que isso é golpismo, mas estamos de novo com todas as possibilidades de retomar um diálogo responsável; o Brasil precisa de ampla frente de centro-esquerda para enfrentar a direita em 2002."
Para ele, os partidos de esquerda ou de centro - e aí ele inclui, além dos tradicionais de oposição, setores do PSDB e PMDB - poderão chegar fracionados na campanha eleitoral, "mas os avizinhados manterão suas portas abertas para composição". O ex-ministro descartou de forma enfática qualquer possibilidade de aliança com o PSDB inteiro. "Eu acredito em relação boa e sincera com alguns do PSDB, que têm lucidez e sofrem as inconsequências do governo de Fernando Henrique".


