Rio, 10 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) acusou hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, de defender o uso do dinheiro público para salvar os Bancos dos Estados de São Paulo (Banespa) e do Rio de Janeiro (Banerj) da falência, em dezembro de 1994.
Os dois bancos apresentavam um rombo superior a R$ 6,5 bilhões. Na época, Ciro Gomes era ministro da Fazenda e Malan, presidente do Banco Central (BC). O Banespa precisava de aproximadamente R$ 6 bilhões para fechar o caixa, mas só tinha R$ 4,2 bilhões, enquanto no Banerj, a necessidade era de R$ 515 milhões.
Segundo Ciro Gomes, Malan teria sugerido a emissão de um lote especial de títulos federais para socorrer as duas instituições, o que teria sido recusado pelo ex-ministro. A saída foi a intervenção nos dois bancos. "Um belo dia, entrou na minha sala o presidente do BC (Pedro Malan), pálido - Ministro, o Banespa e o Banerj quebraram - e propôs-me a lançar um lote especial de títulos federais, socorro com o dinheiro público", contou. "Embora fossem dois bancos públicos
recusei e disse a ele que preparasse, como prevê a legislação, a intervenção." Ciro Gomes contou que, em seguida, ligou para o então presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, e pediu a ele que o ajudasse na operação de transferência do controle dos bancos estaduais para o BC. "Ele (Lázaro) exigiu que o Banco do Brasil (BB) entrasse como avalista das operações; garanti que não seria lesado, mas não deixei que o dinheiro público entrasse", afirmou. "Em seguida, fizemos a intervenção." O ex-ministro disse não acreditar que Malan não soubesse das operações de socorro aos Bancos Marka e FonteCindam, que resultaram em prejuízo de R$ 1,56 bilhão à União. "Como pode um ministro da Fazenda não saber disso?", questionou. "Das duas uma: ou foi inocência ou ele realmente não sabia, o que é dramaticamente grave para o País; mas é a hipótese menos provável." O ex-ministro da Fazenda, porém, defende a convocação de Malan pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) só depois de serem ouvidos todos do BC que ocupam cargos abaixo dele.
"Vamos investigar de baixo para cima; se não encontrarmos os esclarecimentos e as responsabilidades, temos de ir até em cima, inclusive até ao presidente da República", disse. O ex-ministro acredita que o Marka e o FonteCindam são os "bagrinhos" do escândalo que abalou o sistema financeiro nacional. Segundo ele, os "tubarões" foram as instituições financeiras que teriam tido acesso a informações privilegiadas do BC e apostado na desvalorização do real, alcançando volumosos lucros.
"Quem vazou essa informação?; porque o prejuízo é claro: o País perdeu R$ 8 bilhões e um grupo, já identificado pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), ganhou esse dinheiro público", disse. Ciro Gomes comparou o vazamento de informações privilegiadas do BC a "batom na cueca": "Tem um piada popular que diz que, nessa coisa de traição, a única coisa que não se explica é batom na cueca." Para o ex-ministro, a CPI dos Bancos - "composta por senadores de segunda categoria" - não está interessada em apurar esses fatos. "Dentro da CPI, há uma operação de fade out (abafo) para desqualificar o depoimento do Mercadante", lamentou.
Ciro Gomes passou o dia em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde participou da festa de filiação ao PPS de três secretários, um subsecretário e vereadores do PSDB. Ele almoçou com o prefeito José Camilo Zito dos Santos (PSDB) e conseguiu dele a promessa de que, "em breve", poderá o ter também entre as fileiras do partido.
"O Zito é um grande líder do Rio, um prefeito isento, e já mostrou que trabalhar sem roubar e sem deixar roubar é a sua bandeira", elogiou o ex-ministro. "Vamos tentar contaminá-lo porque o País precisa de uma nova oposição."

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