Rio, 17 (AE) - A circulação de jornais aumentou 33% entre 1993 e 1997, enquanto que a população brasileira cresceu apenas 8% no mesmo período. "Poucas coisas cresceram 33% nos últimos anos", afirmou hoje o publicitário Julio Ribeiro, presidente da Talent Comunicação, durante a abertura do último dia do Congresso Brasileiro de Jornais.
Ribeiro participou da mesa "Como Aumentar a Rentabilidade da Mídia Impressa", presidida pelo diretor superintendente do grupo Estado, Francisco Mesquita Neto.
A verba publicitária, no entanto, ainda se concentra muito mais nas televisões do que nos jornais impressos. Em 1998, 59% das verbas publicitárias estavam nas TVs, enquanto que apenas 22% se destinavam aos jornais. "Há campo para crescimento", disse Ribeiro, que é otimista quanto ao futuro. Segundo ele, atualmente, apenas o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) é investido no mercado publicitário. "Vão faltar veículos e agências", afirmou. "Precisamos melhorar as negociações entre jornais e publicitários." Justamente para aprimorar essa relação e garantir mais espaço para a publicidade nos jornais, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) está criando o Departamento de Relações com o Mercado, a exemplo do que já existe na Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner). Um dos principais objetivos, segundo explicou Francisco Mesquita Neto, é aumentar a participação dos jornais na verba publicitária.
A circulação, tema debatido na segunda mesa de hoje, é também um aspecto fundamental quando se trata de atrair ou afastar anunciantes. "Cada vez mais os publicitários vão querer saber quem é o público leitor do jornal, antes de anunciar", disse o presidente da Federação de Circulação da Newspaper Association of America, Edward Graves. "E é para esse público que devem ser dirigidos os esforços de venda." O vice-presidente de Operações da Editora Abril, Gilberto Fischel, lembrou que a grande circulação é fundamental para que o veículo mantenha um compromisso com a independência.

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