Curitiba - A Folha de Londrina foi o jornal que mais publicou matérias sobre a criança e o adolescente no Paraná em 2002. Os dados são da 3 edição da pesquisa realizada pela Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Ciranda). A sondagem analisou a cobertura que a mídia impressa paranaense deu ao tema no ano passado. Das 15.130 matérias publicadas sobre o tema nos oito maiores jornais do Estado, 3.270 saíram na Folha de Londrina, o que representa 21% do total. O resultado foi divulgado ontem durante uma oficina da entidade, que está sendo realizada em Curitiba. A Gazeta do Povo ficou em segundo lugar, com a autoria de 17% dos textos analisados e o jornal O Paraná, de Cascavel, conquistou a terceira posição com 15% das matérias.
No ano passado foram publicadas cerca de 6 mil matérias a mais que as registradas em 2001. Um outro ponto importante apontado pela pesquisa foi a profundidade com que esses oito veículos trataram do tema: cerca de 24% dos textos saíram do factual e apontaram soluções para o problema. Segundo a jornalista da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que participou da pesquisa, Clarissa Kowalski, isso representa um avanço, pois siginifica que a mídia está divulgando um material mais analítico, mais instigante aos olhos dos leitores.
As fontes utilizadas pelos jornalistas para produzir as matérias também foram levadas em conta na pesquisa da Ciranda. No total, foram contabilizados 18 mil entrevistados que atuaram como fontes. Com relação à pluralidade de fontes, ou seja, quando se ouve mais de um entrevistado para produzir uma matéria, a Folha de Londrina obteve a média de 1,25 entrevistado por matéria, mais alta que a média geral que foi de 1,13. Os mais ouvidos foram o poder público, que apareceu em 47% dos textos e a sociedade civil, que foi ouvida em 32% das produções. Os números envolvendo fontes, segundo Clarissa, mostram que os jornalistas estão indo além do oficialismo.
Com relação aos assuntos tratados, a educação das crianças e adolescentes foi o mais abordado, constando em 28% das matérias. Já a violência ficou em segundo lugar, aparecendo em 15% dos textos. A Folha de Londrina foi o jornal que mais publicou matérias relacionadas à violência. A Ciranda não divulgou o percentual. A entidade atribuiu este dado ao aumento do problema nos últimos anos em Londrina.
A oficina, que está sendo realizada em parceria com a ANDI e com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), está discutindo com especialistas da área e jornalistas não só a abordagem quantitativa, mas também a profundidade das matérias. O procurador do Ministério Público do Trabalho de Campinas, Bernardo Coelho, que está participanto da oficina, diz que o trabalho infantil é um tema ainda pouco divulgado pela imprensa. ''Na mídia ainda predomina o factual. Seria importante que os jornalistas se sensibilizassem diante do tema e abordassem mais enfoques do que é feito hoje'', defendeu.
Foram analisados a Folha de Londrina, Gazeta do Povo, O Paraná, O Estado do Paraná, Gazeta do Paraná, Jornal do Estado, Diário dos Campos e Tribuna do Paraná.

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