Curitiba - Um corpo de 70 quilos produz 2,5 quilos de cinzas aproximadamente. Mas pouco mais de 500 gramas foram suficientes para a curitibana Leroy Gaspar da Silva, de 75 anos, guardar em um diamante uma parte do falecido esposo. Ela mandou fabricar um diamante de 0,25 quilate e de 4,1 milímetros de diâmetro - do tamanho de uma ervilha - com as cinzas dos restos mortais do seu marido. Até hoje ela é a única pessoa do País a ter feito o procedimento.
O marido e militar de reserva Jorge Gaspar da Silva, morreu em maio de 1994 aos 61 anos por problemas cardíacos. O corpo estava enterrado e ela visitava o túmulo toda a semana, percorrendo uma distância de 20km a partir de sua casa. Segundo Leroy, a família vinha sugerindo que o corpo fosse cremado de modo que ela não tivesse de ir tanto ao cemitério. Depois de resistir por algum tempo, ela finalmente concordou.
O casal se conheceu no dia 7 de setembro de 1956, em um baile no Círculo Militar de Curitiba. Um ano e pouco depois houve o casamento. Leroy afirma que sempre foi apaixonada pelo marido e que está feliz com a sua preciosidade. ''Ele é em tom cinza e muito bonito. Foi a melhor coisa que fiz'', ressaltou.
A cremação foi realizada no final de 2008 e, após o procedimento, Leroy foi informada pelo Crematório Vaticano de Curitiba de que poderia aproveitar parte das cinzas do marido para fabricar um diamante. ''Com esta ideia ele poderia fazer parte da minha vida de alguma maneira. Com o diamante fiz um colar e uso todos os dias desde o procedimento'', explicou.
Ela também informou que o restante das cinzas foi sendo despejado em locais da preferência do falecido esposo. ''Nada mais justo do que realizar um sonho dele. Despejei um pouco de cinza em cada um dos espaços que ele adorava frequentar'', disse.
Mais pra frente Leroy vai dar de presente o diamante a sua filha Lígia, 50, para que esta guarde para o neto Leandro, 23. Há dois anos ela pagou R$ 12,6 mil para que pudesse ficar com o diamante. Hoje, o mesmo procedimento sairia por R$ 14,5 mil, segundo o Crematório Vaticano. As cinzas são enviadas para a empresa suíça Algordanza que realiza todo o procedimento.
Lançado no Brasil em novembro de 2008, o serviço ainda desperta bastante curiosidade. De acordo com Mylena Cooper, sócia do crematório e representante da empresa suíça, a procura pelo procedimento tem sido grande. ''Muitas pessoas querem saber como é feito, procuram saber dos detalhes antes de decidir pela cremação tradicional'', informou.

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