Cintra tira do papel plano de investir R$ 1 bilhão
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 08 (AE) - O Grupo português Cintra vai investir R$ 1 bilhão na construção de cinco fábricas para produção de cerveja. A primeira unidade, em Piraí, no Rio, começa a operar no segundo semestre de 2000, gerando 500 empregos diretos e mais 2.500 postos de trabalho indiretos. Na primeira etapa serão produzidos 300 milhões de litros de cerveja
que deverão dobrar no ano seguinte. Nesta unidade também serão fabricados refrigerantes e água mineral. O projeto exigirá investimentos de R$ 250 milhões. Outras quatro unidades fabris serão instaladas em quatro pontos estratégicos do País, já definidos.
Há dois anos no mercado a Cintra já conquistou 1,8% do segmento. "A intenção é dobrar a participação no próximo ano", avisa Wilson Tomao, diretor comercial da fábrica de Mogi-Mirim, interior paulista. A produção atual é de 15 milhões de litros/mês. Nesta unidade foram desembolsados cerca de R$ 60 milhões nos últimos dois anos. O próximo investimento começa em meados de janeiro, quando a fábrica de Mogi entrará nos segmentos de refrigerante e água.
A receita estimada para este ano é de R$ 200 milhões, devendo triplicar logo que a fábrica carioca comece a funcionar. "As exportações, neste ano, representaram 7% da receita", conta. A cerveja da marca Cintra é vendida no Mercosul, Estados Unidos e alguns países da áfrica.
Aquisição - O grupo, com operações na Espanha e em vários países africanos de língua portuguesa, comprou a fábrica desativada da Kaiser, em Mogi-Mirim, investindo U$ 60 milhões, entre aquisição e ampliação da capacidade de produção. A primeira leva de cerveja saiu em garrafas de vidro e em março de 1998 foi a vez das latas e em seguida a long-neck.
O interesse do grupo, que atua nos segmentos imobiliário
varejo, distribuição de petróleo e prestação de serviços, em investir no Brasil se explica pelo potencial do mercado. "Decidimos aplicar nossos recursos financeiros em um País que apresenta um imenso potencial", afirma Tomao.
Mercado - Estabilidade econômica e política, crescimento populacional e expectativa de crescimento do PIB foram os fatores apontados pelo diretor como principais atrativos para a empresa. Um estudo desenvolvido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) indica que o consumo nacional de cerveja, que hoje está em 8 bilhões de litros, deverá chegar a 11 bilhões no ano 2001.
"Enquanto o consumo per capita no Brasil é de 52 litros ano, na vizinha Venezuela ultrapassa os 70 litros e na Alemanha fica muito superior a 100 litros", diz Tomao. Associado ao potencial do mercado, ele ressalta a necessidade de renovação de marcas. "As velhas marcas estão cedendo brechas para as novas"
acrescenta.
"Pretendemos conquistar o consumidor gradualmente", diz Tomao, salientando que a Cintra já está presente em todo interior do Estado de São Paulo e com distribuição nos Estados do Rio, Minas Gerais, e Espírito Santo. "No mês de novembro, o produto chega em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará e Piauí.
Exportação - Além de abrigar a única operação de cerveja do grupo, o Brasil será também o pólo exportador do produto. "Daqui sairá cerveja e refrigerante para todos os países do Mercosul, áfrica e Europa", afirma. Neste período de operação a Cintra exportou para Mercosul e áfrica 7% de sua produção anual. Para o próximo ano a intenção é triplicar o volume, segundo Tomao.
Outro negócio que está sendo desenvolvido paralelamente às fábricas é uma rede de restaurantes e choperias. O primeiro já funciona em Copacabana, no Rio. Segundo o diretor comercial, o empresário e presidente da Cintra, sediada em Lisboa, está enfronhado em levantar novos pontos para o negócio. "O próximo passo, acredito, será investir no mercado paulista", afirma.


