Cinto de segurança poderia ter impedido morte de dramaturgo
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Hairton Ponciano Voz 
São Paulo, 18 (AE) - O cinto de segurança, de uso obrigatório, poderia ter impedido a morte de Dias Gomes. Mas ele não usava o equipamento na hora do acidente. Esse ainda é o principal equipamento de proteção no automóvel, mesmo após a chegada de bolsas infláveis, freios antitravamento (ABS) e barras laterais. Pelos dados da TRW, uma das maiores fabricantes mundiais de cintos, o modelo subabdominal (como o que equipa o banco traseiro do Uno em que Dias Gomes estava) aumenta em 33% a possibilidade de sobrevivência em caso de acidente. Sem cinto, a probabilidade de sobrevivência numa colisão a 80 km/h é de 35%, porcentual que baixa para 15% entre 81 e 120 km/h e para 0,25% se o veículo estiver acima de 120 km/h.
De acordo com Roberto Salvador Scaringella, presidente do Instituto Nacional de Segurança no Trânsito, uma colisão é formada por dois choques: depois de o veículo atingir um obstáculo (no caso, o ônibus), os ocupantes tendem a continuar a trajetória e batem em alguma parte do carro. "O carro pára, mas os corpos soltos continuam na mesma velocidade", diz. "O cinto serve para absorver o segundo impacto."
Como o dramaturgo não estava usando o equipamento, seu corpo foi arremessado para fora do carro. Nesse caso, o peso é multiplicado. "A 50 km/h, um corpo de 70 kg pode exercer força de até 700 kg", exemplifica o engenheiro Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da Fiat.
A única desvantagem de cintos subabdominais é que eles não impedem que cabeça e tórax batam em algo dentro do carro, por causa do deslocamento da parte superior do corpo para a frente. Por isso, aos poucos, eles foram sendo substituídos pelos modelos diagonais e de três pontos - que oferecem respectivamente 44 e 47% de possibilidade de sobrevivência em caso de acidente, segundo estudo da TRW.


