Dados sobre a incidência de uma enfermidade em determinada faixa etária podem ajudar na prevenção e diagnóstico precoce. ''Homens e mulheres a partir dos 55 anos prestam mais atencão na própria saúde. Eles querem saber se fazem parte de um grupo de risco'', afirma Antônio Pádua Mansur, coordenador do Núcleo de Estudos dos Problemas do Coração da Mulher, no Instituto do Coração (Incor) em São Paulo. Segundo os últimos números do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/SUS), em 1998 ocorreram 929 mil mortes no País por doença. Os maiores índices estão entre homens e mulheres acima de 50 anos, 65% dos óbitos.

As principais causas de mortalidade são doenças do aparelho circulatório, com 32%; neoplasias (tumores), 14%; problemas do aparelho respiratório, 12%; doenças infecciosas, 6%; e doenças do aparelho digestivo, com 5%. Entre homens e mulheres, os tipos de óbitos mudam de acordo com a idade e fatores como tabagismo e sedentarismo. Uma análise geral indica o aumento da expectativa de vida: em 2030 o número de idosos dobrará, 12% da população terá 60 anos ou mais. A preocupação em prevenir-se contra as doenças está começando mais cedo. ''A partir dos 20 anos, o ideal é fazer um exame para verificar o colesterol, a alta taxa implica em problemas cardíacos que podem ser combatidos desde cedo'', ressalta Mansur.

As doenças circulatórias são a principal causa de morte em países desenvolvidos, no entanto, desde 1985 existe queda na incidência dessas doenças, 4,5%, segundo estudo concluído pelo Incor-SP este ano. Nos homens a queda aponta 2,2%, e nas mulheres a redução é de 6,6%. Para ambos os sexos o ataque cardíaco antes de completar 55 anos pode ser fatal. ''Homens sempre sofreram mais ataques cardíacos e a mulher, por uma questão hormonal, está protegida pela diferença de 7 a 10 anos'', explica Mansur.

''É um mito dizer que a mulher está sofrendo mais enfarte hoje'', destaca o especialista do Incor. ''A mulher com menos de 55 anos, quando tem um enfarte, sofre um impacto maior, portanto tem menos chances de sobreviver do que o homem.'' Segundo Mansur, acima de 60 anos o risco da mulher morrer por ataque cardíaco é reduzido. Foi constatado que 60% das pessoas que sofrem enfarte, em qualquer idade, morrem antes de chegar ao hospital.

''A utilização de pílula anticoncepcional após os 35 anos é outro fator que aumenta o risco de enfarte na mulher. Este hábito se agrava quando associado ao tabagismo'', conta José Pachón Mateos, diretor do Serviço de Arritmias do Hospital do Coração em São Paulo. Após os 65 anos, quatro fatores também aumentam o risco de ataques cardíacos entre as mulheres. Obesidade, colesterol, hipertensão e diabete. ''Na realidade, são os mesmos fatores que contribuem para o enfarte no homem também'', explica Mansur. ''As diferenças dos números entre os sexos não são grandes'', reforça. ''Outra condição que aumenta o risco é a pressão alta. Atualmente, 60% das mulheres acima de 65 anos sofrem deste mal'', relata Pachón.

Uma observação feita pelo Hospital Universitário do Rio de Janeiro Gaffrée & Guinle alertou para o crescimento da Aids entre as pessoas com mais de 60 anos. A incidência subiu 3,6% em 1998. No entanto, o médico infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Marcos Boulos, explica que não há dados que comprove a contaminação nessa faixa etária.

''As pessoas estão vivendo mais, quem se infectou há 10 ou 15 anos está chegando na velhice com uma infecção crônica''. Sim, a Aids se tornou uma infecção crônica para os especialistas, que poderá não ser a causa de muitas mortes no futuro. Boulos explica também que nessa faixa etária diminuem as defesas naturais do corpo, e as doenças começam a se manisfestar discretamente.

A Aids continua sendo a maior causa de morte por doenças infecciosas entre os jovens de 20 a 39 anos, mais de 11 mil óbitos em 98. Os casos entre as mulheres, inclusive casadas, estão dobrando a cada ano. Os menores de 1 ano, cuja mortalidade é classificada pelo mesmo motivo, infecto-contagioso, chega a 7.842. As doenças parasitárias são o maior problema. ''A diarréia na primeira infância, em regiões onde o nível social é mais baixo, como o Nordeste, contribui para o aumento da mortalidade infantil'', explica.

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