Cinegrafista faz nova acusação
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Folha 
Nelson Almeida/Agência Estado
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AmeaçadoO cinegrafista Francisco Romeu Vanni declarou à CPI estar arrependido por ter feito as imagens de DiademaSÃO PAULO - O cinegrafista Francisco Romeu Vanni, 42, o Pica-Pau, autor das imagens que revelaram a violência de policiais militares de Diadema (região do ABCD paulista), disse ontem à CPI da Assembléia Legislativa que apura o caso ter visto, três dias antes de iniciar as gravações, alguns dos PMs que aparecem na fita colocarem um cabresto em um senhor e o ordenar a puxar uma carroça, por diversão.
Pica-Pau afirmou que se arrependeu de ter flagrado as agressões e o assassinato praticados por PMs do 24º Batalhão de Diadema. Recebi informação de que PMs estavam barbarizando a população da Favela Naval. Fui até o local, no sábado (dia 1º de março), para verificar como fazer as filmagens.
Naquele dia, vi alguns dos policiais, que posteriormente filmei, parando um senhor carroceiro. Eles desataram o burro que puxava a carroça, deram um tiro para o alto para fazer o animal fugir e colocaram o cabresto no velho. Em seguida, dois dos PMs subiram na carroça e mandaram o senhor puxá-la. Os outros PMs acompanharam a brincadeira rindo, disse. Durante o depoimento à CPI, que durou quatro horas, o cinegrafista identificou os policiais Queiroz, Otávio Gambra (o Rambo), Silva Júnior e Bonfim como autores da diversão.
Pica-Pau disse que ficou sabendo da violência de policiais do 24º Batalhão de Diadema em uma festa na casa noturna Ilha de Capri, entre São Bernardo do Campo e Riacho Grande (região do ABCD paulista). O cinegrafista disse que resolveu fazer as filmagens para tentar obter uma reportagem exclusiva. Ele afirmou que não fez as filmagens a pedido de ninguém. Suspeitou-se, no início do caso, que a gravação das cenas teria sido encomendada por traficantes ou por policiais civis, descontentes com a atuação da PM.
Pica-Pau disse ter se arrependido da filmagem em razão da consequência que a divulgação da fita trouxe a ele e à sua família. Não estou arrependido pela população, que ficou sabendo de uma realidade triste da polícia, mas me arrependi pela pressão que eu e minha família estamos sofrendo, afirmou o cinegrafista, que disse ter sido ameaçado quatro vezes - por telefone e pessoalmente.


