Cineasta deve prestar depoimento sobre suas ligações com traficante
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Andréia Maia 
Rio, 28 (AE) - O secretário de Segurança Pública do Rio, coronel Josias Quintal, disse hoje que o documentarista João Moreira Salles será convidado a prestar esclarecimentos à polícia sobre o seu envolvimento com o traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP. A informação foi dada durante uma reunião entre a cúpula da Polícia Civil e o secretário. Ele deverá ser ouvido pelo delegado Claudio Vieira, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil. A data do depoimento ainda não está definida.
"O depoimento de Salles vai fazer parte do processo de Marcinho VP", explicou o secretário. "A polícia quer saber se o documentarista conhece atualmente o paradeiro do traficante". O governo estadual e a organização não-governamental (ONG) "Rio Contra o Crime" aumentaram a recompensa pela captura de Marcinho VP, de R$ 5 mil para R$ 10 mil. "Nosso objetivo é prendê-lo o mais rápido possível, pois queremos os nomes das pessoas citadas pelo traficante que o estariam ajudando a sair do tráfico", destacou o secretário
Ele quer informações sobre as afirmações de Marcinho VP, no "Fantástico", da Rede Globo, onde ele diz que abandonou o tráfico de drogas com a ajuda de intelectuais, artistas e políticos. "Queremos saber da relação entre essas pessoas, o traficante e o tráfico de drogas", ressaltou Quintal. O secretário não acredita que Marcinho VP tenha abandonado o tráfico com a ajuda da bolsa R$ 1,2 mil dado pelo cineasta para que o traficante escrevesse uma autobiografia.
"Ele sempre movimentou muito dinheiro com drogas, armas e, de repente, passou a viver com uma quantidade pequena de dinheiro?", ironizou o secretário. Para ele, a história da relação entre Salles e o traficante precisa ser melhor esclarecida. MP - A coordenadora da 1ª Central de Inquérito do Ministério Público Estadual, promotora Maria Aparecida Lamoglia, disse que o MP vai investigar a relação entre Marcinho VP e o documentarista. Segundo ela, o objetivo é verificar se Salles ao dar a bolsa ao traficante agiu com a intenção ajudá-lo a produzir a sua autobiografia ou com a proposta de contribuir para que o criminoso continuasse fugitivo da polícia.
"Vamos investigar se essa ajuda era apenas para fazer o material literário", disse a promotora. "Dessa maneira, Salles não teria cometido nenhum crime já que não tinha obrigação de prendê-lo". A promotora, que se reuniu pela manhã com o secretário de Segurança para discutir o assunto, acrescentou que o MP vai apurar também se houve grampo autorizado pela Justiça na casa do traficante.


