Cineasta depõe e nega saber onde Marcinho VP está escondido2/Mar, 17:02 Por Andréia Maia Rio, 02 (AE) - O documentarista João Moreira Salles depôs hoje, durante duas horas e meia, na Corregedoria de Polícia Civil do Rio, e negou saber o paradeiro do traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP. Em seu depoimento, o cineasta relatou à delegada Sônia Bello sua relação com o traficante, a quem ele dava uma ajuda de R$ 1,2 mil para que escrevesse um livro. O documentarista afirmou nunca ter sofrido extorsão por parte de policiais civis e militares. "Nunca foi extorquido pela polícia", disse. E garantiu que não sabe onde o traficante está escondido. A mãe e as irmãs de Marcinho VP, cujos nomes não foram divulgados pela polícia, também serão ouvidas, pela Corregedoria de Polícia, após o carnaval. A corregdoria abriu sindicância para apurar se o documentarista, o traficante e sua família foram vítimas de extorsão. João Salles, que estava acompanhado pelos advogados Luís Francisco Carvalho e Jacqueline Furrier, chegou à corregedoria, no centro, às 10 horas. Após o depoimento o cineasta concedeu uma ráoida entrevista, alegando cansaço e dificuldade para articular o pensamento. Grampo - "Estou exausto e, portanto, não sei se conseguirei responder as perguntas", desculpou-se. O documentarista disse que relatou à delegada apenas as informações que já havia dado à espontaneamente à imprensa. "Repeti o que já havia dito aos jornais", ressaltou, negando ter sido vítima de extorsão. "Não era uma pessoa pública, de repente tornei-me conhecido por essa história", reclamou. No interrogatório, o documentarista disse que jamais foi importunado de maneira formal ou informal pela polícia. Ele confirmou que deu uma mesada durante quatro meses a Marcinho VP para que escrevesse um livro sobre sua trajetória no tráfico. Contou contou que procurou o coordenador de Segurança Pública do Estado, Luis Eduardo Soares, após ser informado que o telefone de sua produtora, a Vídeo Filmes, estaria grampeado. O documentarista garantiu que atualmente não mantém mais contatos telefônicos com o traficante. João Salles colocou à disposição da corregedoria o plano de vôo de um jatinho de uma de suas empresas, que estaria sob suspeita de ter sido usado por Marcinho VP para deixar o Brasil. O advogado do documentarista afirmou que ele não cometeu nenhum crime ao prestar o auxílio financeiro ao traficante. "Ele agiu de boa-fé e foi somente para que Marcinho produzisse a sua biografia", disse. "Salles estava curioso em saber como um garoto de 14, 15 anos ingressa no tráfico".