Pelo menos cinco acusados, entre eles dois policiais militares, estão presos na Polícia Federal (PF) em Goiás, por suspeita de terem participado do sequestro do compositor Wellington de Camargo. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás pedia à Justiça de São Paulo a prisão de outros três suspeitos no Estado, que tiveram envolvimento no sequestro. Cinco dias antes do pagamento do resgate, o Grupo Anti-Sequestro (GAS) havia identificado os suspeitos, mas, a pedido da família, não os prenderam para evitar que o compositor corresse risco de vida.
A polícia de Goiás vem mantendo em sigilo os nomes dos suspeitos. Segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres, a medida é para evitar que outros suspeitos, até mesmo os de São Paulo, fujam. ‘‘As pessoas estavam sendo monitoradas, mas tínhamos um compromisso com a vida do sequestrado’’, informou Torres. Ontem à tarde, ele viajou para uma cidade próxima da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, onde iria checar novas pistas.
A polícia teve a certeza de que a quadrilha que sequestrou Wellington não era somente de Goiás, quando checou vários telefonemas dados de São Paulo para a casa de Emanuel Camargo, irmão do compositor e negociador do pagamento do resgate. Em seguida, localizou a mulher que havia jogado um bilhete na porta de um clube, na madrugada de terça-feira. No pacote, havia recortes de jornais e um bilhete que depois se comprovou ser de Wellington, pedindo o afastamento do advogado Paulo Viana das negociações.
A mulher estava num Tempra branco, com placas de outro Estado - que a polícia não revela qual - e foi logo localizado, mas ninguém a prendeu para chegar aos outros suspeitos. No decorrer das investigações, foi localizado um policial militar, possivelmente um sargento, e outra mulher. Informações não confirmadas pela polícia também revelam que pode haver um oficial da Polícia Militar entre os suspeitos.
O PM, que pode ter sido o mentor intelectual do sequestro, foi preso em Jataí, a 150 quilômetros de Goiânia, junto com a mulher e outro suspeito, e estão detidos na superintendência da PF em Goiânia. Entre os suspeitos em São Paulo, a polícia acredita que possa haver um amigo pessoal do cantor Zezé di Camargo, irmão de Wellington, mas os nomes também não foram revelados.
Praticamente, o sequestro de Wellington estava solucionado na quinta-feira, um dia antes de a família pagar o resgate, cujo valor seria de US$ 300 mil. O secretário de Segurança Pública de Goiás e delegados da PF reuniram-se com Emanuel Camargo, que pediu para a polícia ficar distante do caso até que os sequestradores dessem a localização de onde o irmão estaria.
A idéia da polícia era prender o PM e a mulher e achar o cativeiro, provavelmente localizado nas imediações de Goiânia. ‘‘Por isso, até hoje, não sabemos onde está localizado o cativeiro’’, contou o secretário. Desde ontem, os suspeitos estavam prestando depoimentos na PF.
Segundo o secretário de Comunicação do Estado, Marcos Villas Boas, as provas que a polícia tinha em mãos eram suficientes para os incriminar. Até o fim da tarde de ontem, a polícia esperava que a Justiça de São Paulo decretasse a prisão de outros envolvidos no Estado.

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