Curitiba - A polícia prendeu cinco pessoas em Maringá, Sarandi e Rancho Alegre D’Oeste em uma operação que investiga um esquema de emissão de carteiras de identidade com informações falsas e fraudes a benefícios por meio de empresas de fachada.

Documentos falsos eram usados em fraudes a benefícios por meio de empresas de fachada
Documentos falsos eram usados em fraudes a benefícios por meio de empresas de fachada | Foto: PCPR/Divulgação

As cinco prisões preventivas e quatro ações de busca e apreensão, cumpridas na manhã desta terça-feira (2), dão sequência à Operação Vucetich, deflagrada em dezembro de 2018 para investigar a confecção de RGs fraudulentos por meio de postos conveniados do IIPR (Instituto de Identificação do Paraná). O próprio órgão identificou a fraude.

Um dos presos é um funcionário da Prefeitura de Rancho Alegre d’Oeste que trabalhava no posto de atendimento para a confecção dos documentos, onde tinha o poder de inserir dados falsos no sistema para emitir os RGs. Embora tivessem conteúdo falso, as carteiras produzidas eram autênticas. A casa do funcionário havia sido alvo de busca e apreensão na primeira fase da operação, no dia 7 de dezembro.

Cerca de 160 RGs fraudulentos teriam sido confeccionados em seu posto de atendimento. Todos foram cancelados - parte deles, antes mesmo da confecção. Os documentos podiam ser usados para fraudes com empresas ou para dificultar a identificação de foragidos da Justiça e pessoas com ficha criminal. Três carteiras de identidade foram identificadas como sendo do traficante Marcelo Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, um dos líderes da facção CV (Comando Vermelho). Não foi constatada ligação da quadrilha com o funcionário, que agia sozinho no posto.

Em Maringá, foram presas quatro pessoas, entra elas um contador, suspeitas de utilizar empresas criadas a partir dos RGs falsos para fraudar benefícios como o seguro desemprego e o salário-maternidade — o que já teria gerado um prejuízo de mais de R$ 1 milhão por meio de quase 200 laranjas.

De acordo com o delegado Rogerson Salgado, do Núcleo da DCCO (Divisão de Combate à Corrupção) em Cascavel, a investigação procura, agora, apurar quais dessas pessoas foram vítimas de golpe e quais participaram ativamente da fraude. “Muitas delas nem sabiam do registro em carteira”, contou à FOLHA.

Além de viabilizar a criação das empresas por meio dos RGs falsos, o funcionário da prefeitura do município de Rancho Alegre D’Oeste, de 48 anos, também angariava laranjas para gerar os contratos de trabalho e fraudar os benefícios.

A operação foi batizada de Vucetich em referência a Juan Vucetich (1858–1925), o descobridor do sistema de impressões digitais.

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