Cinco recém-nascidos morrem em maternidade no Rio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
por Adriana Ferreira 
Rio, 22 (AE) - Cinco bebês recém-nascidos morreram, nas últimas 72 horas, por infecção hospitalar, na unidade de terapia intensiva neonatal da Maternidade Oswaldo Nazareth, na Praça Quinze, no centro do Rio. Por causa disso, 21 crianças foram isoladas em outra sala. Destas, nove estão em estado grave. A direção do hospital não sabe o tipo de bactéria que causou a infecção e colheu material para exames. Amanhã (23), o resultado de um dos testes poderá ser divulgado. O relatório final sobre o problema, no entanto, só deverá sair em uma semana.
O hospital detectou o problema no sábado, quando as crianças começaram a passar mal. Dos cinco bebês mortos, dois eram de baixo peso, com menos de 1 quilo. Segundo a diretora da divisão médica, Betty Moszkowicz, o germe que atingiu os recém-nascidos - que tinham de 1 a 4 dias de vida - é muito forte, porque uma deles morreu em 12 horas. De acordo com a médica, o local onde as crianças estavam foi isolado e passou um processo de limpeza e só voltará a funcionar quando todos os bebês tiverem alta.
Das 21 crianças que estão sob cuidados especiais, apenas quatro não estão sendo medicadas com antibióticos. Oito estão com a situação controlada, mas não há previsão de alta. A Oswaldo Cruz faz cerca 400 partos por mês e tem uma média de três a quatro óbitos mensais - em novembro foram registradas apenas duas mortes. Em dezembro, no entanto, esse número subiu para oito.
O presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Paulo Pinheiro (PT-RJ), esteve hoje no hospital e afirmou que os óbitos eram "mortes anunciadas". Ele disse que enviou um relatório sobre a superlotação das maternidades do município. Das gestantes atendidas, 18% são da Baixada Fluminense. Denúncia - Mães de 80 bebês que morreram de infecção hospitalar entre junho de 96 e março de 97, na Clínica Pediátrica de Cabo Frio, encaminharam à Comissão Interamericana de Direitos Humanos
em Washington, uma denúncia de omissão das autoridades brasileiras. Inquérito instaurado constatou que os médicos internaram os recém-nascidos na clínica sabendo que havia infecção hospitalar.


