Braília, 14 (AE) - Cinco pessoas ainda permanecem internadas no Hospital de Ceilândia, cidade-satélite de Brasília
em consequência do vazamento de um gás tóxico na quarta-feira, que provocou uma morte e intoxicação em 129 pessoas. Hoje foi um dia agitado no hospital. Mais de 40 dos intoxicados voltaram, com problemas respiratórios e irritação nos olhos. Foram medicados e liberados. Todos tinham sintomas de pneumonite química, doença que incha os pulmões e é causada pela inalação do gás, segundo o cardiologista Justino Gonçalves Cardosi. As oito casas interditadas foram liberadas após vistoria da Defesa Civil.
A perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC) do Distrito Federal constatou ser cloro gasoso a substância existente nos cilindros achados na casa de Edivaldo de Castro Pereira, de 53 anos, cuja mulher morreu. Ele causou o acidente ao retirar a tampa de um deles. A princípio, acreditou-se ser acetileno, utilizado em soldas. Segundo a perícia, o cloro gasoso estava na forma de cloreto de hidrogênio. O chefe do Laboratório de Análises do IC, Luiz Carlos Taveira de Matos, analisou os cilindros. "A situação está sob controle", garantiu. Liberação - Após uma vistoria no local, a Defesa Civil e o Departamento de Fiscalização de Saúde Pública do DF desinterditaram as oito casas vizinhas a de Edivaldo Pereira, onde ocorreu o vazamento. "Não há mais perigo para as pessoas"
garantiu Cássio Thyone, perito criminal da Polícia Civil. Thyone foi quem fez a perícia no local do acidente. Outro perito
Luiz Carlos Taveira de Matos, também autorizou a ocupação das casas. Apesar de os peritos afirmarem que a situação está sob controle, ainda é de medo e apreensão o clima entre os moradores da QNN 06.
"Foi uma cena terrível", lembrou Dulce Gomes Cunha, de 42 anos, vizinha do serralheiro. "Havia uma cortina de fumaça nas ruas, senti tonturas e irritação nos olhos". Ainda nervosa, Dulce disse temer que o vazamento do gás pudesse repetir a tragédia do Césio 137 ocorrida em 1987 em Goiânia (GO). Naquele ano, quatro pessoas morreram e outras 254 ficaram contaminadas, quando Dvair Alves Ferreira, dono de uma ferro-velho abriu uma cápsula de césio utilizada em consultório odontológico. Medo - A contadora Claudete Filinto, de 34 anos, que mora em frente da casa de Pereira, confessou-se "apavorada" com o acidente. "Fiquei com medo de morrer", disse Claudete, que à tarde iniciou a desinfecção de sua casa por orientação da Fiscalização de Saúde Pública. O bombeiro aposentado Antônio Machado de Souza, de 48 anos, que é vizinho do autor do acidente
ainda tentou salvar Maria Pereira. "Fiz respiração boca a boca mas, infelizmente, não consegui". Contou que Maria morreu, asfixiada, em seus braços antes de chegar ao hospital.
Outra vizinha de Pereira, Irene Dias, 28, explicou que o "cheiro era tão intenso" que quase desmaiou. Ela lavou as cortinas, os sofás e os objetos de cozinha. A moradora contou que as plantas que tinha em volta de sua casa queimaram. Depois da propagação da susbstância no ar, Irene conta ter saido às pressas para o hospital. A dona de casa Valdeci Lima também passou mal e, imediatamente, procurou atendimento médico. A neta dela, Daniele, de 9 anos, teve acesso de vômitos após intoxicada. Sem perigo - O coordenador da Defesa Civil do DF, Nilo de Abreu Leite, acompanhou a vistoria das casas. Às 18h30, Leite autorizou a desinterdição das moradias que, por orientação do Deparmamento de Saúde Pública do DF, vão passar por um processo de desinfecção. Uma cartilha distribuída aos moradores ensina como deve ser feita a limpeza das casas e dos utensílios domésticos. A diretora do DFS, Maria das Graças Ferreira, também acompanhou a inspeção das casas.
A limpeza das casas, das ruas e a coleta do lixo doméstico na área do acidente será feita com a ajuda da Administração Regional de Ceilândia. "Vamos dar todo o apoio aos moradores", garantiu o administrador da cidade, Eduardo Gomes. Ele disse que a desinfecção das casas seria feita com a ajuda do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), que enviou equipes ao local.

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