Rio, 17 (AE) - Cinco mulheres foram espancadas e estupradas nesta madrugada, quando aguardavam na fila a abertura da Escola Municipal Mestre Valentim, na Pavuna, na zona norte do Rio, para matricularem seus filhos. Os agressores, três homens armados, seriam do vizinho Morro do Chapadão. Além das mulheres, com idade entre 24 e 60 anos, haviam na fila quatro homens e uma criança de 10 anos, que nada puderam fazer porque foram ameaçados pelos criminosos. Os três fugiram após o crime.
"Eles chegaram dizendo que haviam matado um bandido rival no Chapadão e que estavam ali para se divertir", contou uma das vítimas. Enquanto as mulheres era estupradas um dos criminosos fotografava, sorrindo.A violência durou pelo menos uma hora, segundo as testemunhas, período em que nenhum policial apareceu. "Na hora do crime, não havia um policial na rua e a PM só foi acionada por parentes de uma das vítimas", contou a filha de uma das vítimas. As pessoas se revezavam na fila, desde a noite de sábado, para garantir a matrícula, pois a escola ofereceu apenas 12 vagas.
Apenas uma mulher registrou queixa na delegacia. Temendo represália dos bandidos, ela não se identificou, mas contou que os três homens chegaram por volta da meia-noite. Os criminosos levaram os quatro homens e a criança que estavam na fila, para uma área onde não pudessem ver os estrupros. As vítimas, uma a uma, eram conduzidas para uma área nos fundos do colégio onde eram estupradas e fotografadas durante o crime. "As idosas foram poupadas do estupro, mas forçadas a mostrar suas partes íntimas", disse. "Somos obrigadas a passar a noite nas portas das escolas para que os nossos filhos possam estudar e ainda estamos sujeitos a isso."
Governador - O governador Anthony Garotinho reagiu, indignado, ao crime. "Esses criminosos do Chapadão são uns abusados", afirmou Garotinho. A polícia fez ontem uma operação no morro, mas não localizou os criminsos. Recentemente, o Morro do Chapadão havia sido ocupado pela polícia porque havia uma guerra entre traficantes com registro de várias mortes. "Eles aproveitaram que a polícia saiu e retornaram para se vingar da população", afirmou o governador.
A diretora da colégio, Mônica Oliveira, lamentou o caso e reclamou da falta de policiamento para garantir a segurança dos pais que ficam nas filas. "A escola não tem culpa, pois infelizmente temos poucas vagas e a disputa é muito grande provocando filas na madrugada."

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