Cinco mortos em chacina no Rio; polícia suspeita de acerto de contas entre traficantes
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domingo, 05 de setembro de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 06 (AE) - Cinco pessoas - entre elas duas meninas de 14 e 15 anos - foram executadas num suposto acerto de contas entre traficantes, entre a noite de ontem e a madrugada de hoje, na Favela do Melhoral, em Guadalupe, subúrbio carioca. A polícia acredita que o assassinato de Alex Mateus Machado, Cristian Valério Amaral Nunes, o Bocão, ambos de 19 anos, Luciana dos Santos Lopes, de 14, e Monique de Andrade Domingues, de 15, tenha ocorrido por vingança da morte de Adriano Batista Meireles
o Adri, de 18 anos, o primeiro a morrer, no início da noite de ontem.
Segundo a polícia, Adri gerenciava o comércio de drogas na Favela do Melhoral, controlado por traficantes da Favela do Jacarezinho, na zona norte. "Temos informações de que a namorada dele foi ao Jacarezinho recrutar uma turma para matar as outras quatro vítimas", afirmou o major da Polícia Militar José Luiz Nepomuceno. Alex, Bocão, Luciana e Monique seriam "soldados" do tráfico e estariam envolvidos na morte de Adri, segundo a polícia. "Eles enfernizavam os moradores da favela", disse Nepomuceno.
O irmão de Monique contou que ela foi tirada de casa por homens armados por volta das 2h30 de hoje. Ele negou que a menina estivesse ligada ao tráfico de drogas. O corpo de Monique estava acorrentado ao de Alex, perto de Luciana, num terreno baldio no fim da Travessa Rafael de Oliveira, próximo da linha de trem e a um rio. Bocão foi deixado em um valão e Adri estava na outra margem do rio. De acordo com a perícia, os corpos tinham marcas de tiros de pistola calibre 762, 45 e 9 milímetros.
A namorada de Bocão está grávida de nove meses e deve ter o bebê na próxima semana. Ela contou que o rapaz estivera ligado ao tráfico, mas se afastou e agora procurava emprego. "Ele estava fora do movimento há mais de um ano", garantiu. Segundo a menina, Bocão deveria começar a trabalhar como entregador de pizza nos próximos dias. Hoje, os moradores da Travessa Rafael de Oliveira se recusaram a comentar as mortes e mantiveram os portões das casas trancados. Os corpos foram reconhecidos por irmãos e primos das vítimas, que esperaram à sombra a chegada da perícia. Apenas uma prima de Luciana chorava. Desencontro - O bairro de Guadalupe era policiado pelo 9º Batalhão da Polícia Militar, de Olaria, mas passou a ser de responsabilidade do 14º BPM, Bangu, depois de reformulação da Secretaria de Segurança. "Ainda não tomamos conhecimento da situação da área", disse um policial do serviço reservado (P-2) do 14º BPM. A desorientação era tanta que policiais foram checar no fim da manhã um endereço na favela, onde outros seis corpos teriam sido abandonados. Um carro da polícia, seguido por uma fila de carros de reportagem, deu a volta no quarteirão e retornou à Travessa Rafael de Oliveira: o endereço era de uma rua perpendicular à travessa.


