São Paulo, 25 (AE) - Uma chacina hoje à tarde deixou pelo menos cinco mortos e seis feridos na Favela Paraguai, na Vila Prudente, zona leste. O crime aconteceu por volta das 14 horas. Até o início da noite, a polícia ainda trabalhava na identificação das vítimas e não tinha pistas dos assassinos. Essa foi a quarta chacina registrada na favela em menos de três meses. Os casos anteriores envolviam disputas pelo controle do tráfico de drogas.
Hoje foram deflagrados mais de 30 tiros de pistolas calibre 45 e 380 milímetros e escopeta calibre 12 mm. Havia manchas de sangue nas vielas da favela, onde imperava a lei do silêncio. Muito se cochichava nas esquinas, mas pouco se dizia em voz alta sobre o crime. Alguns vizinhos disseram que o caso teria certamente ligação com a guerra pelo domínio do tráfico. Vingança - "Quem tinha de morrer não morreu", disse um morador. "Amanhã eles vão lá na (favela de) Heliópolis", comentou outro, que teria ouvido sobre planos de vingança. A polícia informou, à noite, que o crime foi praticado por seis ou sete homens. O grupo teria chegado à favela em três automóveis pretos. Algumas testemunhas disseram que os assassinos entraram no local atirando. Eles teriam invadido sete barracos, atingindo todos que encontravam pela frente.
À noite, policiais militares e homens da Polícia Civil vasculhavam o local em buscas de novas pistas. Parte do PMs ainda tinha calças e camisas sujas de sangue das vítimas que ajudaram a socorrer. O caso foi registrado no 56.º Distrito Policial, na Vila Alpina, zona leste. Como o crime é de autoria desconhecida, a investigação caberá ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Neta - As vítimas foram levadas para os hospitais João XXIII, Heliópolis, Ipiranga, das Clínicas e Santa Casa. Seis delas foram socorridas no João XXIII, centro da rede municipal de saúde na Mooca, zona leste, onde três morreram: Sidnei José dos Santos Filho, de 13 anos, Carlos Bispo dos Santos, de 42, e Margarida Caetano da Silva, de 47 anos. Segundo vizinhos, Margarida carregava a neta no colo quando foi baleada, mas a criança, de 5 anos, escapou ilesa. Ferida no tórax, E.R.C., de 31 anos, estava internada em observação. Outros dois feridos foram removidos do João XXIII para o Hospital de Ermelino Matarazzo, na zona leste. Nenhum deles corria risco de morte à noite. C.R.V., de 28 anos, sofreu trauma no maxilar e lesão no olho. J.R.P., de 31, foi baleado no braço. A assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal da Saúde informou que ambos ainda estavam passando por avaliação médica, às 19h15. Fuga - No Hospital Heliópolis, do governo do Estado, na zona sul
foi registrada a morte de Marcelo da Cruz, de 22 anos. Baleado na barriga, J.E.S., de 24 anos, estava sendo submetido a cirurgia por volta das 19 horas. A quinta morte ocorreu na Santa Casa de Misericórdia, na Vila Buarque, região central. A polícia identificou a vítima como Jeorge Antônio da Silva, de 17 anos.
No Hospital Ipiranga, zona sul, também da rede estadual, foi atendido W.J.S., de 15 anos. Segundo informações de vizinhos
W. acabara de almoçar e estava na porta de seu barraco quando notou a chegada dos assassinos. O adolescente correu para dentro de casa e fechou a porta, mas ainda assim recebeu um tiro no braço. W. deveria ter ficado internado no hospital, mas fugiu.
No Hospital das Clínicas, em Pinheiros, zona oeste, foi atendido L.A.S., de 35 anos. De acordo com a polícia, ele não corria risco de morte.

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