Jerusalém (AE-AP) - A estudante da universidade norte-americana enfiou um pedaço de papel no muro oeste, local sagrado para o judaísmo, e andou para trás como que apavorada. "Eu não acredito que estou aqui, é impressionante", disse Jessie Oser abrindo bem seus olhos azuis. "Sinto-me como se estivesse conectada a todos estes outros judeus e à história."
Jessie, 19 anos, que antes sentia-se apenas fracamente ligada ao judaísmo, é um dos 5.000 estudantes que vieram para cá para o lançamento do "Direito de Primogenitura de Israel", um projeto de US$ 210 milhões financiado por doações de pessoas físicas e pelo governo israelense, que paga as viagens de jovens judeus para Israel.
A viagem gratuita é um caro instrumento dentre os diversos esforços para encorajar a identidade judaica entre a Diáspora, ou seja, entre os judeus que vivem fora de Israel.
No norte do país, os participantes caminham pelas lamacentas Colinas do Golan e ouvem os colonizadores que são contra e a favor à devolução da área, pertencente à Síria até a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e um assunto que é o centro das conversações de paz ente Israel e Síria.
No sul, eles escalam o caminho de pedras do antigo forte de Massada, onde, segundo a tradição, judeus extremistas suicidaram-se em massa há 2.000 anos para não serem dominados pelas tropas romanas.
Jessie, estudante de sociologia e antropologia da Universidade Tufts, próxima a Boston, cresceu em Princenton, Nova Jersey. Ela disse que sentia-se "desconectada" do judaísmo porque não era praticante. Antes do programa, ela conhecia poucos judeus na universidade e raramente ia à sinagoga.
"Esta viagem fez com que eu entendesse que há mais sobre a identidade de pertencer a um povo que acredita apenas em um Deus", disse ela, seus cachos de cabelo dourados amarrados num rabo-de-cavalo. "Eu sinto que um mundo totalmente novo acaba de se abrir para mim."
Alarmados por porcentagens de casamento com membros de outras religiões, que nos Estados Unidos chegam a 40%, os patrocinadores do projeto têm como objetivo atingir estudantes não-praticantes como Jessie.
O bilionário Charles Bronfman, que ajudou a lançar o projeto e foi um de seus patrocinadores, espera encorajar judeus a casaram-se com judeus ao infundir nos participantes um senso de herança que deve continuar quando eles voltarem para casa.
Nem todos acreditam que o dinheiro é bem gasto; alguns líderes judeus dizem que esta herança é melhor preservada com investimentos em escolas judaicas e acampamentos de verão no exterior.
Os israelenses estão chocados com a promessa feita por seu próprio governo de destinar US$ 70 milhões ao programa nos próximos cinco anos. Israel, construído em grande parte por contribuições da Diáspora, está acostumado a receber doações de judeus de outros países e não a fazê-las.
O dinheiro paga a passagem aérea e os dez dias de programas educacionais em Israel para qualquer judeu, de qualquer país, que tenha entre 15 e 26 anos. Muitos estudantes do grupo de abertura vieram dos Estados Unidos, mas há também gente da Austrália, da ex-União Soviética e da América Latina.
Bronfman diz que a viagem pode significar a pedra fundamental de um renovado senso de identidade. "A alma do povo judeu está em Jerusalém", afirma. "Sempre esteve e sempre estará."

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