Cinco mil escolas receberão filmes da série Retrato do Brasil
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sábado, 22 de maio de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 23 (AE) - A série "Retrato do Brasil", um conjunto de 24 filmes feitos para as comemorações dos 500 anos do descobrimento , deve ser distribuída para 5 mil escolas e vista por mais de 10 milhões de alunos. O projeto, um dos mais ambiciosos documentários sobre o Brasil, custou US$ 10 milhões e foi financiado pela montadora Fiat. O lançamento aconteceu na terça-feira, em uma tenda de 4,5 mil metros quadrados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A festa teve a presença da atriz Fernanda Montenegro, que narra o filme de abertura.
Tudo é gigantesco. Todos os estados brasileiros estão retratados e 420 cidades foram escolhidas para o roteiro dos filmes, que pretendem levar aos estudantes o Brasil que eles não conhecem. Foram gravadas mais de 450 horas de imagens e entrevistas registradas em vídeo e em 100 mil metros de negativos de filme de 35 milímetros, material cinematográfico que daria para fazer 10 filmes de longa-metragem.
Na contramão - Para fazer as imagens, as equipes de produção da Cinemacentro, realizadora da série, percorreram mais de 100 mil quilômetros pelo País durante um ano e meio."Desenhamos o mapa do Brasil no caminho na contramão da colonização brasileira", conta o diretor-geral dos filmes, Carlos Sperry, o "Duto".O primeiro dos 24 filmes começa no município de São Raimundo Nonato, no Piauí, onde foram encontrados os primeiros vestígios de ocupação humana no continente, e termina na Bahia, onde o Brasil foi descorberto.
"Atravessamos o Brasil para chegarmos no local do descobrimento", diz Duto. O último filme da série termina em Brasília, focalizando sua arquitetura modernista e a beleza natural do Planalto Central.
Toda a história dos filmes é conduzida pela ótica de um personagem fictício, o repórter fotográfico Marcelo, interpretado pelo ator Marcelo Cunha. Marcelo que, na verdade é o alter-ego do diretor Carlos Duto, percorre o Brasil como um viajante curioso, que pede informações sobre todos os lugares por onde passa. É nesse caminho de aventura e descobertas que os roteiros dos filmes vão se desenvolvendo.
Ao longo da viagem vão surgindo os outros personagens de "Retrato do Brasil", os próprios habitantes dos locais visitados que acabam relatando a história não-oficial. Personagens como o "seu" João Botão, velho morador de Canudos que dá a sua versão sobre a história de Antônio Conselheiro, e Iôiô da Professora, que mora no sertão nordestino e conta sobre o tempo que conviveu com Lampião. "No Brasil, ainda há muita gente para testemunhar a história que não está nos livros", diz o diretor.
Blocos - Dividida em três blocos, a série também mostra a música e as influências dos europeus, índios e negros na cultura brasileira. O primeiro bloco, "Itinerários", com 11 filmes, retrata todos os estados brasileiros. A série tem ainda cinco filmes temáticos e oito curta-metragens que serão distribuídos para estudantes de países da Europa e do Mercosul. Cada filme tem duração entre 15 e 25 minutos. O objetivo é distribuir os filmes para 5 mil escolas no Brasil e 5 mil no exterior - 3 mil na Europa e 2 mil nos países do Mercosul.
De acordo com Maurício Carneiro, supervisor do programa Fiat para os Jovens, o 11 filmes do bloco "Itinerários", chegarão às escolas brasileiras, serão acompanhados de um livro do professor para estudo dirigido. "Cada intinerário teve tratamento apropriado aos parâmetros curriculares adotado pelo Ministério da Educação",afirma ele. Um glossário, para enriquecer o vocabulário dos alunos, também será distribuído com os filmes. "Com um conteúdo criativo e inovador, o aluno sentirá interesse maior em conhecer o país em que vive", diz Carneiro.


