São Paulo, 08 (AE) - Hoje pela manhã cinco meninos fugiram de uma unidade da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) que fica na Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste de São Paulo. Eles dominaram os monitores com um estilete improvisado com um pedaço de azulejo e saíram. À tarde, o governador Mário Covas inaugurou, ao lado, uma unidade de acolhimento provisório num antigo espaço utilizado para o atendimento de menores abandonados.
Toda reformada, com 16 dormitórios amplos, equipados com beliches e armários de alvenaria, ginásio de esportes, oficinas, salas de aula, banheiros, enfermaria, sala de dentista e refeitório a unidade vai abrigar 104 jovens que cometeram infrações graves, pela primeira vez. Na casa nova não tem um ladrilho sequer. O piso, de cimento, ainda estava úmido. As camas, forradas com lençóis brancos, tinham cobertores azuis. Os menores que já chegaram usavam agasalho de moleton.
Conhecendo a unidade, Covas entrou numa sala onde cinco internos jogavam pingue-pongue. Sentou-se no meio deles e puxou conversa. "Antes de fazer reboliço procurem o diretor, porque às vezes dá para resolver o problema", começou. "Ninguém tem prazer de manter vocês aqui." Depois que ele levantou, dizendo "então, vamos trabalhar", os meninos relaxaram. "Foi bom falar com o governador mas é ruim estar aqui", comentou Edson, de 14 anos, na Febem há um mês e nove dias por roubo de carro. "Sou que nem passarinho, não gosto de gaiola."
Alex, de 16, preso por assalto, também gostou de "trocar uma idéia" com o governador. Na Febem há 52 dias ele ficou na Unidade Imigrantes. "Lá a gente não tinha nada para fazer, então ficava o dia todo fumando no pátio ou jogando futebol", contou. "Na hora de dormir, eram 15 num barraco, um por cima do outro." A situação é muito diferente na unidade da Raposo, disse. "Cada um tem sua cama, sua toalha, seu sabonete e os monitores tratam a gente com educação." De todo modo, Alex disse que está "desesperado" para ir embora.

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