Tasso Marcelo/Agência EstadoGrupo de extermínioA Polícia Civil investiga Transportes Santo Antônio porque acredita que os homens que assassinaram os menores são seguranças da empresa de ônibusCinco garotos foram mortos a tiros ontem à tarde em um trecho deserto da estrada do Sarapuí, em Belford Roxo (município a 15 quilômetros do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense). A polícia suspeita que a chacina foi praticada por seguranças da empresa de ônibus Transportes Santo Antônio Limitada.
De acordo com investigações da 54ª Delegacia de Polícia, os cinco menores faziam bagunça no ônibus da linha 449, que liga o município de Duque de Caxias ao bairro Bom Pastor, em Belford Roxo. Quando o ônibus passava ao lado da subestação de energia do bairro São José, os garotos teriam tentado descer sem pagar a passagem. Nesse momento, três homens que estavam na parte traseira do ônibus teriam se levantado e, de revólveres na mão, mandado o motorista parar. A porta traseira foi aberta e os meninos desceram, empurrados pelos homens, segundo o relato de passageiros a policiais da 54ª DP. Os homens teriam obrigado os menores a deitarem em um gramado junto da grade da subestação, com as mãos dentro dos calções. Em seguida, dispararam.
Cada garoto levou um tiro na cabeça, na altura do ouvido direito. A chacina ocorreu por volta das 17 horas de anteontem.
Até o fim da tarde de ontem, apenas três mortos estavam identificados: André Luís Filene, 16, Wagner Ramiro de Mello, 16, e André Luís Lopes Barreto, 15. Um outro garoto era conhecido na região pelo nome de Alan. A quinta vítima permanecia sem identificação no IML de Nova Iguaçu (município a 20 quilômetros do Rio). Era um menino que aparentava 12 anos de idade. Os garotos moravam em Belford Roxo. Eram amigos.
Filene e Barreto estudavam na quarta série de um colégio público na cidade. Eles voltavam de Duque de Caxias, onde tinham brincado em um fliperama. A mãe de Barreto, Maria Dajuda, disse que o filho não usava drogas nem estava envolvido com criminosos. ‘‘O que ele e os amigos gostavam é de baile funk’’, afirmou.
A direção da empresa de ônibus não comentou a suspeita policial. O gerente Serafim Pedreira se recusou a falar com jornalistas. O delegado-titular da 54ª DP, Mário Azevedo, disse que o gerente será convocado a prestar depoimento, assim como o motorista e o cobrador do ônibus onde os garotos viajavam. A polícia desconhecia até o fim da tarde os nomes do motorista e do cobrador.
‘‘Todo mundo vai ter que vir aqui depor’’, afirmou o delegado. Motoristas da empresa disseram que os seguranças da Santo Antônio não viajam nos ônibus.
Pessoas ouvidas ontem de manhã no local da chacina confirmaram a versão de que foram seguranças da empresa os responsáveis pela matança. O padrasto de Wagner Ramiro de Mello, Luís José da Silva, disse que um vizinho que estava no ônibus viu a chacina.
‘‘Ele me disse que os meninos avisaram ao trocador que não tinham dinheiro para pagar. O trocador chamou os seguranças, que mataram eles’’, afirmou Silva. A passagem no ônibus da linha 449 custa R$ 0,50.

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