Cinco mendigos voltam a Corumbá
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por João Naves de Oliveira 
Campo Grande, 03 (AE) - Apenas 18 dos 27 mendigos que foram "transferidos" da cidade de Corumbá pelo prefeito Éder Brambilla (PSDB) voltaram para Mato Grosso do Sul hoje. Dez deles ficaram no interior de São Paulo, 13 em Campo Grande e cinco seguiram no ônibus para Corumbá. O grupo foi colocado em um ônibus fretado no dia 31 e parado na madrugada de terça-feira pela Polícia Rodoviária Estadual de São Paulo, no KM 16 da Rodovia SP-270, no município de Itapetininga. Os policiais que conduziam o grupo foram presos.
Os motoristas do ônibus, João Lemes Machado e Elias Marques Rodrigues, disseram que o total de passageiros no coletivo era 32, incluindo o comandante da Guarda Municipal, o major-PM Édson Gonçalves da Silva, e os guardas municipais Jucinei Marques Leite, Nestor Ojeda Neto, Roberto Peres e Rose Pinto de Arruda.
Os cinco mendigos que chegaram a Corumbá são Raul Francisco dos Santos, de 18 anos, Renê Vargas dos Santos, 32, Eva Paulínia dos Santos, 32, João Paulo dos Santos, 39, e Miguel Gomes da Silva, 43. Eles afirmaram que moram em Corumbá há mais de cinco anos.
O prefeito Éder Brambilla disse que foi feita uma triagem rigorosa entre os mendigos para saber se realmente moram ou são de Corumbá. Ele esclareceu que a seleção foi feita entre quase 150 pessoas que vivem na ruas da cidade. Também acusou as pessoas que vivem na rua de mentir "até no nome". O prefeito afirmou que hoje chegaram mais 92 mendigos, que estão acampados no bairro Porto Geral, ponto turístico de Corumbá.
Represálias - O grupo de que ficou em Campo Grande afirmou não querer ir para Corumbá, onde estava, temendo represálias do prefeito.
Quanto ao major e os guardas municipais presos em São Paulo, um advogado da prefeitura disse que as prisões não estão corretas. "Se houve realmente sequestro e cárcere privado são crimes hediondos, portanto inafiançáveis, teriam que ser esclarecidos em Corumbá, onde recolhidos os moradores de rua levados para um albergue e depois colocados no ônibus e transportados para São Paulo e Paraná." O advogado informou que três advogados chegaram hoje a São Paulo para defender o grupo.
Justificativa - A transferência dos mendigos da cidade foi "para garantir o retorno a seus lares ou às entidades que as assistiam", disse o prefeito Brambilla. Ele afirmou ser comum a presença de desocupados em Corumbá, "exportados" por outros Estados "Esta situação cria graves problemas sociais, com o aumento da mendicância e também da criminalidade em nossa região."
O grupo que estava no ônibus , de acordo com o prefeito, teria sido despejado há uma semana do centro de Corumbá, e estava acampado à beira do rio Paraguai, trazido não se sabe por quem e de onde. Os empresários de turismo constataram o problema e comunicaram o gabinete do prefeito, que determinou à Fundação de Promoção e Assistência Social de Corumbá o atendimento. Os mendigos teriam sido levados para o albergue municipal no noite de domingo, onde receberam alimentação, medicamentos e roupas novas. O prefeito diz que todos eram oriundos de localidades do Interior de São Paulo e do Paraná. Brambilla convocou o major para que "fizesse uma limpeza na cidade". O major alugou o ônibus, que seguiu para o norte do Paraná e depois para São Paulo.
PM - O comandante-geral da PM de Mato Grosso do Sul, coronel Francisco Carlos da Silva Moreira, lamentou o episódio em nota oficial distribuída à imprensa. No texto ele informa que desde junho de 96 o major Gonçalves está à disposição da Prefeitura Municipal de Corumbá. Segundo o coronel, a situação do major está sendo apurada através em Inquérito Policial Militar e se forem constatadas as denúncias divulgadas pela imprensa, ele será expulso da corporação.


