O major Ronald Paulo Alves Pereira é acusado de envolvimento no Escritório do Crime, um grupo de extermínio composto por mercenários
O major Ronald Paulo Alves Pereira é acusado de envolvimento no Escritório do Crime, um grupo de extermínio composto por mercenários | Foto: Reginaldo Pimenta/Raw Image/Estadão Conteúdo



Cinco dos principais líderes de uma organização criminosa que vinha agindo na zona oeste do Rio de Janeiro foram presos nesta terça-feira (22) durante a Operação Os Intocáveis, desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço operacional do Ministério Público no estado. No grupo, estavam o major Ronald Paulo Alves Pereira, o major Ronald, o tenente reformado Maurício Silva da Costa, o Maurição, além dos civis Laerte Silva de Lima, apontado como o braço armado da organização, Manoel de Brito Batista, o Cabelo, e Benedito Aurélio Ferreira Carvalho, o Aurélio.

Os policiais buscam capturar oito integrantes do grupo considerados foragidos, inclusive Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, também considerado homem forte da organização. Nesta terça-feira foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados. A operação contou com apoio das polícias Civil e Militar.

De acordo com as investigações, os integrantes da milícia agiam nas comunidades de Rio das Pedras, da Muzema, Tijuquinha e adjacência.

A promotora de Justiça Simone Síbilio, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), afirmou que, apesar de dois dos detidos terem sido ouvidos como testemunhas em outro crime, não é possível no momento vincular os integrantes de milícias presos nesta terça ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Pedro Gomes, em março do ano passado.

"A operação objetivou o desmantelamento de uma organização criminosa que atua nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjacências, inclusive a Tijuquinha. Nós não podemos afirmar neste momento que elas têm relação com o caso Marielle, mas também não descartamos a hipótese".

De acordo com a promotora, qualquer associação entre os suspeitos e a morte da vereadora e do motorista só poderá ocorrer com o avanço das investigações. "A investigação do caso Marielle não é o objeto desta investigação. Ela é separada e autônoma e não visou prender pessoas relacionadas aos crimes da Marielle e do Anderson. Se depois, no futuro, chegarmos a conclusão de que elas têm envolvimento, aí sim será apurado, mas nos autos da investigação do caso."

Entre os cinco presos da operação desta terça, dois são acusados de envolvimento no Escritório do Crime, um grupo de extermínio, composto por mercenários, que atuaria no estado: o major Ronald e o capitão Adriano, acusados inclusive de comandar o escritório, braço armado da organização.

Os dois, inclusive, já foram ouvidos na condição de testemunhas no caso Marielle. "São investigações que não se confundem e não podemos, nesse momento, nem afirmar e nem descartar a participação de alguns desses integrantes no caso", destacou.

Para a promotora, com base na documentação apreendida, ficou comprovada que a organização vinha praticando os crimes de agiotagem, cobrança de taxa ilegal, receptação de carga roubada e venda e locação de imóvel de forma ilegal.

Durante a ação policial, foram apreendidos seis armas de fogo, munição, dinheiro em espécie e farta quantidade de documentação relacionada a venda e locação de imóveis.

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