Guarapuava - Um incêndio de causas ainda desconhecidas provocou a morte de cinco crianças, com idades entre 1 ano e 10 meses e 11 anos, no Santa Cruz, bairro da periferia de Guarapuava (Centro). As mães das vítimas são irmãs e foram presas ontem. Elas devem responder pelo crime de abandono de incapaz, com agravante do abandono resultar em morte. Por cada morte, podem ser condenadas a até 12 anos de prisão.
Com base nos depoimentos dos vizinhos, a polícia suspeita que Marilene, de 29 anos, e Daniele Gonçalves, 19, deixavam as crianças sozinhas todas as noites e madrugadas para se prostituir. De acordo com informações da Polícia Civil, as crianças dormiam quando o incêndio começou. Não há informações sobre os pais das crianças.
A casa de madeira onde a tragédia aconteceu era pequena, com poucos cômodos e foi destruída pelas chamas, que teriam começado por volta das 21 horas de quarta-feira. Os bombeiros suspeitam que uma vela provocou o incêndio.
A primeira vítima morreu no local, carbonizada. Outras duas perderam a vida antes de chegarem ao hospital, logo depois dos primeiros atendimentos.
A menina de 8 anos, que aguardava transferência para o Hospital Evangélico de Curitiba, morreu no fim da tarde de ontem no Hospital Santa Tereza. Antes, no final da manhã, o garoto de 5 anos morreu no Hospital São Vicente de Paulo. Ambos apresentavam queimaduras de terceiro grau por todo o corpo e sinais de traumatismo craniano.
O bebê de 1 ano e 10 meses de idade (um menino) foi a única vítima que morreu no local. O corpo estava carbonizado. A criança mais velha do grupo, uma garota de 11 anos, morreu antes de ser hospitalizada em decorrência de graves queimaduras. O mesmo aconteceu com o menino de 5 anos.
Além da liberdade, Marilene, encaminhada ontem com a irmã ao Setor de Carceragem Temporária (Secat) logo após prestar depoimento na sede da 14 Subdivisão Policial, perdeu três filhos. Sua irmã, Daniela, dois. A polícia não confirmou a informação, mas ambas teriam sofrido ameaça de linchamento quando chegaram em casa de madrugada e, por isso, teriam procurado espontaneamente a polícia.
De acordo com o delegado-chefe da 14 Subdivisão Policial, Ítalo Biancardi Neto, as mães disseram que deixavam os menores sob responsabilidade do filho mais velho de Marilene, um adolescente de 16 anos. Ele, contudo, não estava em casa. ''O rapaz costumava fechar a casa e assistir TV na casa de um amigo'', disse o delegado.
A conselheira tutelar Isabel Pereira da Cruz afirmou ontem que não havia nenhuma denúncia contra a família. ''Quem disse à polícia que elas deixavam as crianças sozinhas todas as noites deveria ter nos avisado'', lamentou. ''Os vizinhos não querem se envolver, muitas vezes por medo de represálias. O resultado é isso: a cidade está muito abalada com esta tragédia.''

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