Subiu para cinco o número oficial de mortos (todos crianças) em decorrência da cheia nos rios do Acre. A Defesa Civil confirmou ontem que na sexta-feira duas crianças, de 3 e 5 anos, e um bebê de nove meses, morreram afogados no Rio Iaco, em Sena Madureira (144 km de Rio Branco). O pai das crianças, o agricultor Antônio Paula de Oliveira, retirava a família de uma área de enchente quando o barco que conduzia bateu em um tronco de árvore que vinha arrastado pelo rio. A batida arremessou as crianças para fora do barco.
Outras duas crianças, de 4 anos e de um ano e três meses, morreram afogadas em Rio Branco, no dia 21, em áreas de cheia. Com um balanço de 3.774 famílias atingidas, das quais 1.347 desabrigadas e atendidas provisoriamente em barracas da Defesa Civil e Exército nos municípios de Rio Branco, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, as autoridades do Acre consideram a situação ‘‘sob controle’’.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos primeiros 17 dias de janeiro choveu no Estado 317 mm. O instituto calculava 255 mm durante todo o mês. O nível do Rio Acre, cuja cheia atingiu 2,5 mil famílias em bairros pobres de Rio Branco e desabrigou 970 famílias, baixou durante todo o fim de semana, em que ocorreram apenas chuvas rápidas. Ontem, o rio estava cerca de 1,3 metro acima da cota de alerta, que é de 13,5 metros, mas havia recuado mais de um metro em relação à sexta-feira.
As famílias flageladas estão abrigadas em seis pontos diversos em Rio Branco. No local de maior concentração, o Parque de Exposições, havia anteontem 350 famílias, ou até mil pessoas, segundo estimativa da Defesa Civil. Em Sena Madureira, a cheia do Rio Iaco desabrigou 334 famílias, obrigando a Defesa Civil retirar emergencialmente 130 famílias ribeirinhas, com apoio de barcos.
Também lá o nível do rio baixou. Nos bairros mais atingidos em Rio Branco, a água da cheia misturada aos detritos das fossas residenciais produz forte mau cheiro e faz aumentar o risco de doenças.

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