Porto Seguro, BA, 24 (AE) - A direção do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou hoje que pretende denunciar o governo Fernando Henrique Cardoso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos por crimes cometidos contra os índios. A violência registrada no dia 22, quando a polícia impediu grupos indígenas de fazer manifestação na região histórica do Descobrimento, seria um desses crimes. O governo também deverá ser acusado por desrespeito às leis que regulam a demarcação e a proteção de reservas, além de omissão diante de crimes como a esterilização de mulheres índias e o genocídio.
A relação das violações está sendo preparada pelo Cimi. O vice-presidente da instituição missionária, Saulo Feitosa, disse que o Conselho será assessorada no trabalho de denúncia pelo Centro Jurídico Internacional (Cejil), uma organização não-governamental com sede em Washington, EUA. A audiência para a apresentação formal do caso deverá ocorrer em outubro, de acordo com a previsão de Feitosa. Segundo suas explicações, a denúncia poderá ter dois destinos: dar origem a um relatório que terá repercussões políticas; ou ser remetida à Corte Interamericana, que pode até decretar sanções econômicas contra o governo.
O Cimi também deverá ir à Justiça contra o coronel Wellington Muller, que comandou a operação de repressão à manifestação, por abuso de autoridade.
Marés - Hoje, em entrevista coletiva na qual foram anunciadas as medidas contra o governo, os representantes do Conselho elogiaram o ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Marés. "Dos seis presidente que a Funai teve com FHC, ele foi o único com o qual conseguimos dialogar", disse Feitosa. "Ele defendia realmente os interesses dos índios
mas não conseguia fazer muito porque era permanentemente boicotado."

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